A minha Inês anda entretida em terras Argentinas, e isso deixa-me com a responsabilidade de näo deixar os nossos fäns mal...portanto aqui vai mais uma vista de olhos, mais uma descriçäo e um bocadinho do que os meus sentidos absorvem por estas terras!
Santiago, até agora pouco vi, mas já fui a uma festa com "asado" na cobertura de um prédio localizado na zona a que os santiaguinos chamam de Sant'hathan, numa referência a Manhathan (täo a ver o género?) e ao Bairro da Bella vista onde assisti a demonstraçoes de cumbia e fui abanar o esqueleto numa disco! Quarta à noite há festa prometida no cerro de Santa Luzia, e eu já estou preparada!
Tenho andado acompanhada por uma mexicana (Pilar) que conheci na minha primeira manhä na ilha de páscoa e que aqui me acolheu em sua casa...com ela descobri que os Chilenos näo dançam em festas e nunca se penteiam!! :D Nada como uma colónia de Perúanos, Colombianos, e Mexicanos residentes em Santiago para nos ficarmos com um outro ponto de vista sobre os Chilenos!
Entretanto na ilha de páscoa também conheci LuisFe, um Boliviano que mora em Viña del mar e acabei por aceitar tb o seu generoso convite e para cá vim por duas noites, enquanto aguardo o regresso da minha mais-que-tudo companheira de viagem!!
Estas terras, já descritas pela Inês, fazem-me lembrar Cascais e o Estoril...e ao mesmo tempo däo-me umas impressöes de Lisboa, talvez pelo facto de se desenvolver ao longo de uma encosta por onde as casas descem, e os elevadores tipo eléctrico de lisboa por ela sobem!! É bonita e colorida, e até agora um bálsamo para a minha alma saudosa...Houvésse mais sol, e eu estaria feliz!
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Santiago, Viña del mar e Valparaiso
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Mais um bocadinho de Rapa Nui...
Os dias de tour com o Jhonny foram intensos, mas os outros nao foram menos, embora a um ritmo diferente.
Consegui, depois de lá ir duas vezes, ver o museu da ilha na totalidade...posso dizer que o museu é apenas uma sala, mas como consegui chegar sempre tarde, tive de dividir a visita em dois!
Nesses dias, acabei por aceitar a generosa oferta do Jhonny para dormir em casa da filha dele, que estava desocupada, e que fica ao lado da casa dele, onde na verdade acabei por passar a maior parte do tempo!
Nao consegui ter tempo para artesanatos, nem lojas...acabei por gastar os ultimos dois dias a correr entre o museu, a cidade de Hanga Roa, Orongo e a revisitar a pedra cósmica para testar a teoria de que bússula ali nao funciona( e nao é que é mesmo verdade!? Poe-se louca!!), e regressar a Hanga Oteo, onde jantámos mais uma vez na cabana do Jhonny.
Orongo é um dos ex-libris da ilha! Só consegui chegar lá ao fim do dia, para ver o por do sol e tirar umas fotos muito a correr, mas a sensaçao de estar no local onde esta vila cerimonial do tempo do Homem pássaro (Tangata Manu) se desenvolveu, é algo mais uma vez inexplicável.
A cratera do vulcao está separada do oceano pacífico apenas por uma parede, que está já um pouco derrubada...Consegue-se ver o oceano e o lago no interior da cratera quase sem separaçao fisica, e lá no cimo, num dos lados da borda da cratera, entre o oceano e o vazio da cratera, nasceu esta vila, cujo objectivo era acolher os "chamans" desta altura para assistir à competiçao dos homens que iam a nadar até ás ilhas pequenas, onde estavam os pássaros Manú, que vinham para nidificar anualmente, e depois regressar com um ovo intacto através do mar, que nessa época de ano continha tubaroes e fortes correntes! Só imaginar já é algo de impacto, mas ver...bem...só vos digo para verem a foto e calcularem o nível de exigência desta prova para seleccionar o novo rei da ilha. Esta foi uma fase posterior á dos Moais que representavam os antepassados e que existiam e todos os clas, sendo que cada cla governava uma parte da ilha, que estava totalmente recortada e dividida. O culto a Tangata Manu durou cerca de três séculos, até à chegada dos navegadores europeus. Huuum, andei a ler bem os textos do museu!! valeu a pena ir lá duas vezes!!
O povo da ilha, claramente veio dos polinésios, e têm todos traços fortes e expressoes cerradas que se abrem em sorrisos após uma palavra, mas até lá, percebe-se bem de onde vem a expressao que os Moais têm! Há flores por todo o lado e as mulheres enfeitam-se com elas e usam-nas em colares para receber os familiares e amigos que chegam à ilha. O corpo de cores castanhas exibe-se sem problemas e com roupas coloridas e despreocupadas. Anda-se de mota para todo o lado e a cidade tem um ar pobre, e onde se vê que nenhum investimento foi feito por parte dos chilenos que governam a ilha...nao admira que os Rapa Nui se queiram libertar e unir ao triângulo do pacífico!! Os preços sao caros comparando com os do Chile no continente, e á chegada e partida no aviao, vêm-se muitas geleiras daquelas de levar para a praia ou para o pic-nic, levando-me a crer que tentam sempre a trazer produtos mais baratos do continente.
Conclusao, a viagem foi curta, e infelizmente acabou rápido, mas fica a sensaçao de que apesar de pequena, é uma ilha intensa, cheia de segredos e forças sobrenaturais em que todos os locais acreditam, mas acima de tudo, com paisagens naturais lindíssimas onde se tem constantemente a sensaçao de estar isolado no meio de um oceano imenso no centro do mundo. É um pequeno paraíso e eu sinto-me feliz por ter tido a oportunidade de lá ir! Mas da próxima, pelo menos 7 dias!! :P
terça-feira, 6 de abril de 2010
Jhonny Tucki Hucke
Falar do Jhonny no fundo é falar da minha experiência nesta ilha de Rapa Nui e ao mesmo tempo descrever a essência desta terra...
De expressao fechada ele aproximou-se ao fim do meu primeiro dia de chegada, enquanto esperava de um espectáculo de dança e música com jantar de Curanto feito debaixo da terra ali mesmo onde estava e nessa mesma noite (foi sem duvida uma sorte!)...o sol quente aquecia enquanto comia uma torrada, ouvia o mar e via a linda visto do hostel onde acabei por ficar...
De pele escura, cabelos longos meio ondulados, lenço enrolado no topo da cabeça... os traços do rosto nao negam de onde é, Rapa Nui com muito orgulho e garra! Disse-lhe que estava a pensar fazer uma longa, longa caminhada à volta de toda a ilha mas que nao sabia se havia onde dormir, pois o caminho era longo e teria de o dividir em dois dias, mas o único local habitado é Hanga Roa, a Cidade onde tudo está e acontece...propôs-me, por entre olhos indecifráfeis a ser meu guia, jurou-me que era guia à anos quando duvidei da experiência e hesitei muito em aceitar, porque estou sozinha, sou um alvo fácil e pior ainda para fazer uma viagem de dois dias, dormir algures num local inacessível só com este homem que acabava de conhecer e cuja dureza do rosto nao me permitia sequer perceber se era simpático, interesseiro, se as intençoes eram boas, ou se podia estar nas maos de um qualquer louco...Só no dia seguinte, depois de quase gritar aos sete ventos de que ia fazer a viagem com este homem, avisar uma amiga daqui de que o ia fazer e fazer uma sondagem com as pessoas de cá, é que resolvi aceitar!
Posso, sem dúvida, afirmar neste momento que foi uma das melhores decisoes que tomei até hoje...
No dia em que aceitei levou-me de carro até Rano Raraku, onde se fizéram tantos Moais que até custa a acreditar...consegue-se imaginar que devia ser monstruosa a quantidade de gente que ali trabalhava por dia para talhar aqueles Seres gigantes da rocha...eram vários os que estavam a ser talhados ao mesmo tempo e a sensaçao é de estar perante uma imponencia do Homem, se é que isso se pode dizer!! Fiquei só até tarde, e desci até á costa, para ver o por do sol diante dos únicos 15 moais de pé na ilha.
A casa dele, onde me propôs dormir a primeira noite situa-se entre o vulcao de onde estraiam os moais e a praia com os 15 moais...o local nao tem descriçao e a casa dele, toda aberta para as árvores, completamente feita por ele, com pedra, plantas, animais, cama de rede no exterior, onde depois fomos ver a lua por tras dos moais...nao tem descriçao, nem por foto! Foi uma noite de música, conversa e onde pude depois conhecer o filho, a namorada e cunhada deste.
No dia seguinte, de chuva, seguimos de carro para ver a pedra que era tocada cada vez que nascia uma criança na ilha e o umbigo do mundo, Te Pito Kura, uma pedra magnética, cósmica, redondíssima, usada pelos sábios da ilha no passado...de lá, fomos taé Anakena, praia paradisiaca, onde pude ver corais enquanto o Jhonny foi apanhar cavalos!! Literalmente! Disse-me que esteve com um primo a correr atras de um cavalo, a tentar enganá-lo até que o apanharam com o laço...o objectivo desta luta que infelizmente nao presenciei foi arranjar um cavalo para nos transportar aos dois, e ao material que iriamos precisar para a noite...afinal a coisa prolongou-se para duas noites e acabámos por mudar para cavalo para podermos bater toda a zona de fio a pavio...
Ainda estou com dores nas pernas, de cavalgar sem sela, na parte de trás do cavalo...mas tenho mais pena do bicho que foi um valente a guentar aquele percuros por entre a costa verde, cheia de pedras vulcanicas usadas antigamente pelos Rapa Nui para fazer as suas casa, galinhieros, zonas de cultivo, casas, monumento, cemitérios...um mundo feito de pedra hoje reduzido a uma paisagem linda e ao mesmo tempo triste por deixar antever a civilizaçao que um dia ali houve, e que hoje nada resta...
Acabámos a noite a dormir em Hanga Oteo (mais uma vez indescritivel...tenho esperança que as fotos vos deixem ver um pouco o que é este pequeno canto do mundo!), a chuver, onde o Joni pescou em pouco mais de 20 min nada mais que 4 peixes, um deles de um azul turquesa lindo, jantou-se como se quer, e depois dormimos ali memso ao relento, debaixo apenas de uma cobertura para nos proteger da chuva...teria sido tudo perfeito, se a ilha nao tivésse imensas baratas que saem durante a noite, e que nao me deixaram dormir só de as imaginar em cima de mim, ou a entrar pelo saco-cama...nevertheless...foi uma das melhores experiencias da minha vida estes 3 dias com o Joni, nestas terras deserticas, mas com historia infindável, segredos por descobrir e uma lingua que o Joni quis á laia de insistência que eu fixásse, mas da qual apenas posso dizer que fixei o nome do primeiro rei que aqui veio (Hotu Matu), e que Ana quer dizer gruta...
Entretanto ofereceu-me a casa da filha que esta vazia para dormir estas proximas 2 noites e está neste momento a esculpir-me uma peça de madeira para eu levar comigo nem sei muito bem onde, uma vez que nao me cabe nem mais uma ervilha na mala!! Mas como nao aceitar!?!?
Ainda tenho muito mais para contar, os pormenores sao tantos que nao posso contar todos senao ainda esgoto o espaço de escrita para a Inês contar como têm sido estes dias no continente...
Da minha parte, e daqui deste ponto de terra no meio do pacífico, só posso dizer...que experiência!!!!!
domingo, 4 de abril de 2010
outro (val)Paraíso
Cá está entao a outra ventosa a dar notícias.
Eu nao estou numa ilha paradisíaca mas sim na confusa (mas fantástica)Valparaíso. Cheguei hoje já da parte da tarde e ainda nao consegui ver muita coisa... mas aquilo que já vi promete... é uma cidade cheia de colinas e artistas e grafittis... e também muitos malandros;) E é também muito fotogénica. Assim que puder deixo umas fotos. Deixei o cabo da máquina fotográfica em Santiago...
Ontem passei o dia a passear por Santiago. Caminhei, caminhei, caminhei. Nao consegui sentir o veradadeiro ritmo da cidade pois está tudo a meio gás por causa da Páscoa...mas mesmo assim foi intenso. Acho que gostei mais de Santiago do que de Buenos Aires... mas enfim, é apenas a sensaçao de um dia. Nao dá para comparar. A verdade é que descobri recantos bem especiais, principalmente no bairro da Bellavista. Entrei no mercado central, onde todos os vendedores assediavam os clientes com o seu belo pescado e subi ao Cerro Santa Lucía que tem uma vista poderosa sobre esta cidade gigante que está abraçada pela cordilheira. Aí conheci um senhor de 60 anos que me falou nas conquistas de Pedro de Valdívia, me contou toda a história da sua família e me disse que no seu entender a música dos Beatles mudou o mundo. Rematou com uma frase: "Esteve a falar com um homem feliz" :)
Ao entardecer tive direito a uma excursao privada. Negociei um preço com o moço do turismo e ele levou-me no seu coche a conhecer alguns lugares mais emblemáticos da cidade. Conversámos imenso sobre a história, a política, a educaçao no Chile. Aprendi imenso com o Diego. Acabámos a beber uma cervejinha num bar!
Hoje de manha ainda fui visitar o novo e moderno centro cultural, construido há dois anos no subterrâneo do Palácio La Moneda.
Depois pus-me a caminho de Valpo. É domingo, todos os postos de turismo estavam fechados... estava a ver a procura de alojamento uma tarefa bastante difícil e todos me falavam em preços exorbitantes, mas com um tiro de sorte entrei num cafeziho acolhedor onde me recomendaram um hostal bem porreiro e barato. O edifício é especial e bastante colorido. Depois mostro-vos.
Amanha vou calcorrear! Agora vou fazer a janta e confraternizar com suiços e alemaes...
sábado, 3 de abril de 2010
Rapa Nui
Eis senao quando o vento bate forte fortemente, como quem chama por mim, e nem a ventosa me agarrou ao continente!
Nao satisfeita, lá vim eu espreitar estas terras meu polinésicas, meio chilenas perdidas no meio do pacífico e a 7horas de diferença horária de Portugal!
Queria muito por fotos, mas a net é muito lenta e cara! Portanto vai ter de ficar para mais tarde...para já fica apenas a noticia de que as ventosas foram oficialmente separadas e que esta que aqui vos escreve veio de férias para a Ilha de Páscoa! :D
Posso-vos dizer que já vi Moais, que ja estou instalada num belo hostel, mas em vias de me mudar para um camping por ser mais barato...é que isto é tudo muito bonito, mas custa tudo mais 3 vezes que no continente!!
Para já, primeiras impressoes...o aeroporto é super familiar...sai-se a pé do aviao e quando se chega ao tapete das bagagens, 2 min a seguir, já há familiares felizes a levar colares de flores aos que chegam...o ambiente é quente e solarengo, cheira a erva, a mar e a flores!
No tapete das bagagens chegam imensas geleiras de praia, imagino eu, carregadas de frescos directamente da terra mae!
A ilha é pequena e vê-la do aviao foi uma sensaçao que nao esperava...senti-me ansiosa e expectante...e até agora só posso dizer que corresponde á ideia de férias que esperava ter!
Já marquei o meu batismo de mergulho para terça feira, e as praias de rocha basaltica e este sol fantástico estao a chamar por mim!
Prometo em breve dar mais noticias e por umas fotos...
Até breve...ah...uma curiosidade...sabiam que Rapa Nui é o ponto geográficamente oposto a Jerusalém?!!? Imaginem!! Great expectations meus amigos...great expectations! ;)
Beijos!!!!
Precisa-se título suficientemente abrangente para esta teia
A seguir à desilusao de Puerto Montt, nada como rumar até Villarica. Tínhamos uma ideia fisgada: ir passar um dia às termas. E assim foi. Fomos com uma miuda do Quebec que conhecemos pelo caminho - a Miriane - a qual acabou por nos acompanhar durante alguns dias, revelando-se uma optima companhia! E que bem que nos soube aquelas banhocas quentinhas com águas termais! E o banho de lama!Ui! Daquela que seca e demora imenso tempo a sair do corpo e só lá vai com uns bons esfreganços :)
Estávamos mesmo a precisar de um dia assim, de molho, de sorna junto à piscina.
Entretanto conhecemos uns músicos de rua e ainda passámos uns bons momentos com eles. Numa primeira noite levaram os instrumentos para junto do lago e estivémos a ouvir Vitor Jara e Violeta Parra na doce voz da Mirilyn. Numa segunda noite fomos bailar um pouco de "cumbia" para o pub da terrinha. Eu e a Claudia ainda nos entusiasmamos com o fabuloso mundo do karaoke. Havia imensa música portuguesa para escolher! Imaginem!Aventurámo-nos no célebre "Afinal havia outra" da Mónica Cintra. Achámos que seria o tema perfeito para marcar a passagem destas portuguesas por esta regiao. Qual nao foi a nossa surpresa quando a melodia começa e nos apercebemos que apenas conhecíamos o refrao... ficámos mudas a olhar para o monitor e nao saiu um pio. Esse momento vergonhoso está gravado. Quem quiser assistir ao tesourinho deprimente poderá solicitar. Uma pérola. Catchai?
Enfim, mas repostas as energias com o ar das termas, estávamos prontas para subir ao vulcao Villarica. E lá fomos nós escalar o monstro. Começamos bem cedinho (7h da manha em Pucón), pois existe uma lei que proibe a permanencia de pessoas no topo para além das 14h. E ainda sao umas 4h a subir! Nao é brincadeira! Principalmente quando começa a parte da neve e os pés começam a escorregar e evitamos olhar para as ribanceiras brancas de gelo deslizante. Mas a cratera compensa tudo! É impressionante olhar para a garganta aberta de um vulcao! Principalmente deste, que de vez em quando ainda dá um ar da sua graça e que nos brindou com gemidos e muito vapor. E as cores! Sao lindas as cores da cratera! Uma autentica força da natureza. E a vista que tínhamos lá em cima! Que espectáculo imponente! Muitas vezes comentámos como nos sentíamos privilegiadas e sortudas por estar a viver tudo isto.
Depois seguimos novamente para a Argentina. A nossa amiga Miriane quis acompanhar-nos, pois ainda nao conhecia o país vizinho e achou que seria um bom sítio para comemorar os seus 23 aninhos. Ela é uma aprendiz de biologia marinha que se preparava para vir estudar para Concepcion durante um ano. O terremoto destruiu a Universidade e ela viu-se obrigada a regressar ao seu país. Nao sem antes fazer uma pequena tour com nosotras. Festejámos o seu aniversário (28 de Março) em San Martin de los Andes. Um povoado pequenito e bonitinho, com um lago cheio de veleiros. Comemos um peixe (peixinho!!) divinal num restaurante muito catita e fizémos-lhe uma surpresa com um bolo e uma prendinha. Foi bonito.
Já o meu aniversário foi passado em El Bolson. A estrada até lá é a chamada rota dos sete lagos. Sao todos lindíssimos. Especialmente com a luz do entardecer. Adorámos a paisagem. El Bolson é um pueblito menos turístico, mais a sul. Teoricamente um dos últimos bastioes das comunidades hippies dos anos 70. Conhecemos uma dessas personagens. Um rapazinho que largou a carreira promissora na Plata para vir viver em comunhao com a natureza e tomar banho na água gélida do rio. Está a construir a sua casa segundo métodos artesanais, com bosta de cavalo.
Foi um dia bem passado. Enfeitámo-nos com bijuteria comprada na feira de artesanato dos artistas da terra (a minha companheira ofereceu-me um super colar com uma pedra verde)e depois fomos fazer um belo petisco ao ar livre no pátio do refúgio onde estávamos alojadas. Digo-vos que o repasto foi maioritariamente composto por guloseimas :) Com direito a vela e tudo! Foi um momento emotivo, que recordarei no futuro com bastante prazer.
Ainda ponderámos aceitar um convite para ir fazer a festa com uma grupeta de músicos, mas acabámos por nos distrair com a nossa conversa e o nosso vinho e ficámos por ali na pura palheta (ainda temos assunto depois de 2 meses!). Será que estamos a ficar demasiado velhas? Enfim, os 29 já cá cantam! Por um mesito temos a mesma idade.
Hoje chegámos a Santiago depois de uma viagem interminável e cansativa. Atravessámos a zona mais afectada pelo terremoto mas apenas durante a noite e nao vimos nada. Começamos a ficar habituadas ao folclore da fronteira, de tantas vezes que já a cruzámos. As autoridades chilenas sao muito rigorosas com os produtos que podem entrar no país. Sempre que entramos assinamos uma declaraçao, jurando que nao transportamos fruta, vegetais, sementes, ou derivados de leite. Cuidado com as doenças contaminantes que essas coisas podem esconder! Quanto à minha faca do mato, nao causa estranhesa. Sempre na minha mochila de mao. Mas eu que me atreva a tentar traficar uma sandes de queijo! Que infame! Sou olhada como uma criminosa e segue directamente para o lixo! E no más! O que vale é que o sistema é tao falível que lá conseguimos ir passando umas iguarias camufladas. No minuto a seguir à aduana já se vêem pessoas dentro do autocarro a comer maças.
Amanha a minha companheira segue para a Ilha de Páscoa durante uns dias e eu vou ficar aqui a dar outras voltinhas. Cada uma irá contando as suas novidades. Vao aguarndando. No máximo a partir de dia 10 já estaremos novamente juntas.
Termino com uma curiosidade: até agora encontrámos um único português durante toda a nossa travessia: um guia que se exilou nas Torres del Paine. Mais nenhum sinal de tugas por estas bandas. Conhecemos um trio de franceses em Calafate (com quem marcámos novo encontro no Perú) que estao a dar a volta ao mundo. Já andam há seis meses a viajar pela Ásia, África e agora América do Sul. Nós fomos as primeiras portuguesas que eles encontraram. E assim vos deixo com este facto que dá certamente que pensar.
Até já!
quarta-feira, 31 de março de 2010
De pés ao vento e dedo esticado para a estrada
O mais interessante desta viagem sao sem duvidas as pessoas que vamos encontrando pelo caminho...
Até agora, retirando o facto de nao conseguirmos postar com tanta frequencia como nos gostaria, tudo flui como o vento e a nossa estrelinha tem brilhado sempre!
Entrámos na carretera austral, que atravessa os Andes chilenos à boleia.
Depois de uma noite em Coyaique, onde usufruimos de tempo de qualidade e um belo salmao grelhado para o jantar na companhia de uns amigos franceses que haviamos conhecido em El chaltén, seguimos de dedo estendido pela famosa carretera até Puerto Cisnes. Esta era a nossa meta!
A nossa primeira boleia foi num camiao com dois rapazes de 20 e pouco anos eram cerca de 13h da tarde(sim, porque há que dormir bem!!:D )...dai até uma vila apanhámos o primeiro bus que nos apareceu na estrada onde poucos carros passaram e dessa vila num instante apanhámos novamente boleia até um cruzamento uns 20km mais á frente. Ai pudémos disfrutar de tempo de espera de grande qualidade, jogando aos nossos jogos de infancia e apreciando a bonita paisagens que aquela regiao esconde e que nos abençoou com uns pinguitos de chuva...ainda tememos ficar naquela zona de ninguém por um tempo, mas eis senao quando que nos apareceu um sr com um jipe, já com dois mochileiros e suas grandes mochilas.
Nunca eu pensei que houvésse este tipo de generosidade nem que alguém parásse para dar boleia quando já tinha duas pessoas á boleia no seu carro, mas o sr tantas voltas deu e tanto se empurraram as mochilas que conseguimos estar os 5, as nossas mochilas e as dos outros dois, mais as malas do sr.(algumas ainda tiveram de ir para o tecto!) e o didgeridoo dentro do carro! Sabem aquela anedota de quantas pessoas cabem num mini?...foi quase isso!! Encaixadas e de movimentos limitados, mas bem contentes, lá seguimos até a outra paragem!
Os rapazitos que viéram connosco eram israelitas (que por aqui há aos molhos!!), e diziam que já andávam carretera à dois dias, e que demoraram cerca de um dia a fazer o percurso, que nós, mochileiras cheias de vento e bem dormidas, fizémos em apenas poucas horas de estrada! Um orgulho!!
A partir daqui já ninguém nos agarrou! Mesmo debaixo de chuva!!
Num instante quase assutador logo outro sr. parou tb para nos dar boleia até à pequena vila pescatória de Puerto Cisnes onde eu e a Inês tinhamos decidido dormir! Parecia que ia ser complicado ir até lá, pois ficava fora da carretera, mas nao é que este sr ia precisamente para lá!??! ah pois é!!!! E assim foi que fizémos uma boa parte da carretera mais famosa do Chile à boleia! Também queriam, nao?!?! Pois digo-vos amigos, que valeu a pena!
De Puerto Cisnes, seguimos de barco para a ilha de Chiloé, terra de duentes e bruxos e seres mítico como o Chauco(!?)...
Nao vimos baleias na viagem de barco, mas esta foi até ao momento a nossa maior travessia náutica, e posso garantir que muitos filmes se viram...nada como ver "A vida é bela" em espanhol!!! ui ui!!
A primeira cidade de Chiloé, Quéllon, terra de gente "borracha" nao nos levou ao altar...retirando um Sr. de cerca de 50 anos que nos falou da sua experiência a fuzilar pessoas no tempo do Pinochet, enquanto jantávamos na companhia de um Suiço que encontrámos no barco...foi mais uma noite que nao esquecerei...uma historia destas contada na primeira pessoa, com um sotaque chileno fechadíssimo, e que para entender tinhamos de estar com os olhos e ouvidos totalmente direccionados para aquela personagem de olhos enrugados onde algumas lágrimas nao conseguiram deixar de cair...
No dia seguinte seguimos à boleia novamente até Chonchi...pelo meio acabámos por ser transportadas por Jaime!! Este grandioso Sr. além de ser de uma simpatia extrema, ainda nos levou a dar uma volta a praia de Cucao, do outro lado da ilha, e depois ainda nos ofereceu comida e estadia na sua cabana junto ao mar, entre Chonchi e Castro!
Na verdade, nao vimos muito de Chonchi, e em Castro vimos bastante de carro porque ele tb nao nos largou enquanto nao teve a certeza de que estávamos orientadas na cidade...mas o mais maravilhoso, foi poder usufruir da sua cabaninha e do conforto de estar numa casa, com uma vista serena e agradável e em tao boa companhia! Foi um bálsamo para os nossos corpinhos e muito revigorante para as nossas almas de viajantes! Apenas uma noite pareceu-nos uma semana! Foi muito muito bom!
Bem, e dai seguimos para Ancud de bus, que na verdade, para além de uma chuvada em que parecemos pintos, a pousada de fabulosa Sra. Jenny, e uma excelente exposiçao sobre as igrejas de madeira da ilha e a sua reabilitaçao, nao há muito mais para contar.
O nosso erro maior, foi termos parado em Puerto Montt ao sair da ilha, pois depois de tao bela estadia em Chiloé, a cidade cinzenta e agitada de Puerto Montt fez-nos sentir deprimidas ... e assim foi que seguimos logo no dia seguinte para Villarica...ui...e há muito para contar sobre esta vila...tanto que vai ter de ficar para o próximo post!!! :P
Beijoes grandes a todos! Muitas saudades!!!
segunda-feira, 15 de março de 2010
Nao há céu como o daqui
Ja estamos de volta ao Chile, mais precisamente em Chile Chico (que se traduz por "pequeno chile").
Hoje apanhámos as nossas primeiras boleias e tudo correu tranquilamente. Amanha vamos "atacar" a Carretera Austral com o nosso polegar. É uma bela maneira de conhecer pessoas da zona e poupar alguns trocos.
A Claudia esqueceu-se de mencionar que em El Chalten iniciámos a caminhada para o Fitz Roy ainda de madrugada escura. Foi lindo ver o nascer do sol no caminho e assistir à mudança de cor das paredes do grande cerro. Primeiro vermelho, depois laranja, amarelo... e por fim branco e cinza.
Antes da partirmos de El Chalten, ainda pudémos disfrutar de um espectáculo de doma de cavalos (uma festa anual tradicional) e o Filme "Kamchatka", integrado num ciclo sobre a memória do último golpe de Estado no país, em 76. É um filme muito bonito e tem uma banda sonora igualmente bonita: o poema "Palavras para Julia", que conhecia na voz do Paco Ibañez, agora também imortalizado pela Liliana Herrera. No final estivémos à conversa com um antigo preso político. Tal como ele se descreve, um protagonista da História. A voz de todos aqueles que desapareceram... É enriquecedor ouvir os discursos na primeira pessoa.
sexta-feira, 12 de março de 2010
El Chaltén e o Fitz Roy!!
Tenho apenas 9 min para escrever qualquer coisinha para os nossos fiéis seguidores!! A internet no nosso belíssimo albergue de aldeia nao existe e a conecçao neste ponto de internet "a pagantes" tb nao é nada de jeito devido ao mau tempo que hoje se faz sentir aqui pelas montanhas!!
Estamos em El Chaltén, juntinho ao Fitz Roy. Belíssimo e ao mesmo tempo muito semelhante ás torres de Torres del Paine...nao fosse esta montanha considerada as Torres del Paine Argentinas!
Saímos de Ushuaia e seguimos para EL Calafate e de lá, com os nossos amiguitos brasileiros Pedro e Werner, que já tinhamos conhecido em Ushuaia (um dia quando conseguirmos net para actualizar as fotos poderao saber melhor de quem se trata!), rumámos para estas belas terras, onde ontem fizémos a nossa caminhada rumo ao cume! Estamo-nos a tornar excelentes caminhantes, pois nao foi nada que se comparásse ao esforço de Torres del Paine! Agora já ninguém nos apanha!!! Venham Bariloches, Acongáguas e outros mais que nós estamos lá!!! :D
De resto as novidades nao sao muitas! Temos tido sempre muito sol, embora hoje chova (primeira vez desde que começámos a viagem), e estamos já a programar a nossa subida para Chiloé! Iremos primeiro de bus e depois, como aventureiras que somos, estamos a ponderar hitchiking através da carretera austral nas montanhas do chile!!! Prometemos contar como foi quando conseguirmos um local com net... que pode ser daqui a algum tempo, pois já nos disseram que poderia demorar uns bons dias até chegar ao fim do percurso!!! Desejem-nos sorte!!
Entretanto vimos numa televisao por onde passámos que houve outra réplica na zona de Concepción, no Chile, mas por aqui mais uma vez a terra têm-se mantido estável! Por isso don´t worry!!
Beeeemmm...já estou a gastar mais um round de 15min de net, pois os 9 min iniciais, sem saber bem como foi possível, voaram e agora tenho apenas mais 2 min!! Como nao quero ter de pagar mais, vou aproveitar e...
...despeço-me com amizade...até ao próximo post!!
terça-feira, 9 de março de 2010
Fomos ao fim do mundo e ja voltamos
Apos nova ausencia prolongada, ca estamos de novo a dar noticias!
Depois de alguns dias de tensao devido a reprogramacao dos voos das duas Anas, voltamos a calmaria de El Calafate para vir buscar a metade do conteudo da nossa bagagem que ca tinhamos deixado (e perguntamo-nos agora como vamos conseguir enfiar tudo dentro da mochila novamente... havemos de conseguir!).
Neste momento as Anas ja devem estar quase quase de regresso a casa.
Entretanto ainda fomos todas a Ushuaia. Gostei de conhecer a famosa cidade mais autral do continente americano. E uma cidade nada perfeitinha e para turista ver. Pelo contrario. E feia e desarranjada. E sobretudo uma cidade vivida. A rua principal esta sempre cheia de gente, principalmente de muita juventude cosmopolita. O porto com os grandes navios que rumam a Antarctida e o canal Beagle emoldurado por montanhas dao-lhe um ar simpatico.
Eu e a Claudia ja compramos livros sobre a passagem de Darwin pela patagonia pois cada vez ficamos mais maravilhadas com as descricoes que ele fez da natureza e das gentes que aqui habitavam. Na altura ele ficou bastante mal impressionado com os indios destas paragens :)
Em Ushuaia visitamos o Parque Nacional da Terra do Fogo. Uma paisagem completamente diferente da de Torres del Paine, mas igualmente fascinante. Acompanhadas pelas nossas companheiras biologas, ficamos muito mais atentas a fauna envolvente. Nao imaginam como ficamos histericas quando finalmente conseguimos observar pica-paus bem de perto! Eram enormes. E com a cabeca vermelha. Tinhamos passado as ultimas horas de caminhada sempre alerta, a procurar por entre as arvores esburacadas pelos seus bicos. Finalmente eles ali estavam a dar-nos um ar da sua graca :) Infelizmente nao tivemos a mesma sorte com os castores. Esses nao lhes pusemos a vista em cima. No entanto ainda conseguimos observar a forma engenhosa como constroem diques e pontes.
Durante esses dias que estivemos em Ushuaia, pernoitamos num Hostal bem ao estilo Kusturica, repleto de israelitas. A maior parte dos jovens deste pais parte para uma grande viagem de varios meses, apos terminar o servico militar. Pelos vistos muitos deles escolhem a America Latina como destino.
Numa das noites decidimos sair um pouco da rotina pe descalco e fomos, imagine-se, jantar fora o belo do cordeiro assado. Juntamo-nos a brasileiros, um americano e um holandes e disfrutamos da afamada carne argentina.
No ultimo dia decidimos passear enquanto a Ana foi ao museu (nos ja tinhamos visitado o museu de Punta Arenas). Qual nao foi a nossa surpresa quando vimos que o filme em cartaz do mini cinema perdido dentro da antiga prisao (agora museu) de Ushuaia, ali bem no fim do mundo era... nada mais nada menos, que a ultima producao do Tim Burton "Alice in Wonderland" acabado de estrear em Portugal. Nao quisemos perder a oportunidade e a noite la fomos. Ainda bem que chegamos com meia hora de antecedencia pois a fila ja era grandota e nao parou de crescer. A plateia estava esgotada e nao ha lugares marcados. Foi uma curiosa experiencia sociologica. Quanto a experiencia cinematografica... ficamos um pouco desiludidas... mas isso agora seria outra longa conversa :p
Aproveito para partilhar ainda convosco que arranjei um optimo entretem para viagens de autocarro que duram mais de 10 horas: comprei novelo de la e agulhas e estou decidida a fazer um cachecol azulao! Tudo gracas ao ponto de tricot que a minha avozinha me ensinou quando era criancinha :) Depois mostro-vos como ficou!
E pronto, aqui ficam mais umas noticias destas duas mochileiras que ja estao bastante ansiosas por seguir para Norte e deixar esta zona turistica, onde toda a gente vai visitar os mesmos parques e lagunas e fazer os mesmos trekkings e encontram-se sempre as mesmas caras nos hostais e autocarros :)