sexta-feira, 30 de julho de 2010

Vida campesina e boa onda argentina

Ola ola directamente do Valle de Uspallata, entre a pré cordilheira e a cordilheira dos Andes, aqui bem pertinho do Aconcágua ;)
Estive a tentar publicar mais fotos aqui no blog mas esta internet é de terror e acabei por desistir...
Por isso vao ter que se contentar com um simples post, para vos pôr a para daquilo que ando a fazer por aqui, pois já me apercebi que a curiosidade é imensa :)
No campo há sempre muita coisa para fazer, mas tudo corre a um ritmo tranquilo e relaxado.
Nos nossos passeios, nunca nos escapa nenhuma plantinha autóctone, que levamos para o nosso viveiro particular. Temos feito muitas germinaçoes. Tenho particular fé nuns moranguinhos que plantei e que deverao estar a despontar na Primavera. Apercebi-me que os frutos vermelhos sao os meus predilectos :) E aquela maçaroca colorida que trouxémos de Jujuy lembraste Clau? Parece que também vai pegar! :)
Merecem também destaque alguns apontamentos gastronómicos que têm aguçado um pouco a melancolia: na nossa ida mensal à grande cidade descobrimos no supermercado "sardinhas portuguesas"! É obvio que delirámos e fizémos uma super sardinhada no dia seguinte... nem pensem que me podem meter inveja com as vossas sardinhadas de Verao! Esta, em pleno inverno, foi um êxito! Além disso comprámos também bacalhau e já existe um argentino rendido aos encantos das nossas receitas. Principalmente com natas no forno! Yammi! E agora que o forninho novo já está completamente finalizado, também nos temos fartado de fazer pao. E que bom que é fazer o nosso próprio pao! É oficial, a minha alcunha da Tuna começa agora a fazer algum sentido.
O programa da Rádio La Paquita também continua sobre rodas. Às vezes lá é forçada a minha participaçao, com o meu sotaque exótico, nomeadamente para reivindicar contra um projecto de minha a céu aberto que está planeado para esta zona. Trata-se de uma luta local bastante forte, a qual foi aliás o motivo principal para a criaçao desta Radio Comunitaria. As minas a céu aberto já foram alvo de uma resoluçao do Parlamento Europeu, no sentido da sua eliminaçao até 2011, devido aos efeitos devastadores para a biodiversidade que acarreta o uso de cianuro e outras substancias quimicas no processo de lixiviaçao dos metais. Também já tive oportunidade de escrever um artigo sobre este problema num jornal local.
Entretanto soube que através de um observatório astronómico situado no Chile, foram descobertas várias estrelas gigantes, uma delas 300 vezes maior que o sol. É claro que isso por aqui tem dado azo a vários comentários sobre o fim do mundo profetizado pelos Maias, o qual deverá ocorrer em 2012. Ainda muito se virá a escrever e dizer sobre essa profecia, que nestes países acaba por ter um impacto muito mais forte. O fim do mundo nao será... mas algo irá acontecer! Quem sabe uma grande mudança de consciencia...
Entretanto, enquanto muitos de voces vao estar em Sines, no domingo vou celebrar o dia da Pacha Mama, ao som de muitos tambores e com direito a uma grande oferenda à mae natureza, para que a comida continue a ser saborosa e abundante!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para onde o vento soprou...

O amor tem destas coisas...
O amor que eu tenho pela minha amiga levou-me a querer fazer com ela esta viagem, e esse mesmo amor que por ela sinto não me permite outra coisa senão dar-lhe o espaço que ela merece para ser quem é, e para fazer o que quer, tal como eu sei que ela me dá a mim.
A nossa viagem, segundo o meu ponto de vista, sempre nos permitiu dar liberdade uma à outra...se por algum momento os caminhos tinham de seguir direcções opostas, assim foi, mas sempre com previsão de regresso...a nossa viagem é feita a duas e longe ou perto, eu estou com ela, e ela comigo.

Tudo isto para dizer, que depois do nosso reencontro, e de passarmos pelos sítios onde a ventosa morena vos descreveu, seguimos rumo à terra que roubou o coração da minha companheira de viagem. A nossa viagem seguiu caminhos opostos quando fui à ilha de Páscoa e enquanto estive na Bolivia. Cada uma de nós viveu experiências diferentes, que nos deram novo brilho e crescimento...

Foram algumas as horas de bus que ainda tivémos de percorrer até chegar lá...eu, que não tinha motivos para isso, acho que estava tão excitada com a perspectiva de ir conhecer Uspallata como ela devia estar no dia em que resolveu largar tudo e seguir para lá.
Chegámos de noite, e pouco depois aparece o rapaz que nos acolheu...o Dom Quixote de Uspallata! Argentino de gema, romântico de coração.
Acho que estávamos os dois nervosos (eu e ele)...acho que estávamos os três contentes...
Posso contar isto Inês?!!?? Permites-me?
Se me permites então contarei também, que gostei muito de ai estar....gostei muito de o conhecer e toda a realidade campestre que a ti também te cativou. Se me permites, vou contar ao mundo que existem galinhas, porcos e leitões, um gato e dois cães enormes, montanhas lindas e um casal de apaixonados escondido numa cabana pintada de cores vivas. Se me permites vou contar que construímos um forno enquanto ai estive, que passeámos a cavalo... vou dizer que conheci amigos vossos cujo coração superava o corpo, se me permites vou ainda dizer que te vi brilhar como há muito tempo não via, e que me sinto feliz de ter testemunhado esses momentos, em que a vida atinge a simplicidade do dia-a-dia, em que o amor justifica tudo, e em que estiveste com uma plenitude como eu nunca te vi antes...
Se me permites Inês, vou contar ao mundo que estás feliz, e que eu estou feliz por ti, e que mesmo longe, sei que continuamos perto...eu em Lisboa, tu em Uspallata...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Um pulinho ao Norte

Depois de quase um mês de afastamento, as ventosas reuniram-se em Jujuy, no Norte da Argentina. Foi um reencontro bastante emocional :)
Há muito que queríamos conhecer esta cidade, mas ainda nao tínhamos tido oportunidade.
Visitámos Pumamarca, um pequeno pueblo nos arredores e contemplámos o seu fabuloso Cerro das Siete Colores, bem do alto de um monte onde sentimos o amor universal :)
Também fizémos um tour por umas lagunas lindíssimas (e mais uma vez a nossa estrelinha brilhou e pudémos disfrutar da boleia de um senhor tao simpático, tao simpático, que fez uma viagem de propósito só para nos ir buscar) e descobrimos um pequeno paraíso onde fizémos um pic-nic e treinámos um pouco os nosso instrumentos de sopro.
Depois conhecemos tambem Salta, uma cidade bastante maior e bem bonita, principalmente à noite, com todos os monumentos iluminados. Tem também uns parques enormes e bem acolhedores.
Entretanto comprei uma máquina fotográfica, por isso já estou armada para vos mostrar novas imagens.
Depois de Jujuy e Salta viémoa novamente para Uspallata.. mas como eu já escrevi demasiado sobre esta vila, deixo agora que seja a Clau a tecer as suas consideraçoes. Serao publicadas em breve! :)

domingo, 4 de julho de 2010

Resumo de quase um mês de viagem alone!

Parte I - Zona Norte

Ora cá estamos novamente...desta vez, para dar as últimas informaçöes sobre os dias passados na Bolívia!
La Paz, foi fixe, de lá segui para Cochabamba, abaixo do altiplano, e cujo principal atractivo é a variedade gastronómica. Segundo a guia, começam o dia com uma sopa, a meio da manhä uns fritos ou umas batatas "rellenas", ao almoço o menú completo (sopa e segundo), a meio da tarde bora lá a umas empanadas e ao jantar siga o menú novamente!
Pareceu-me o lugar ideal para recuperar da segunda gastro e assim sendo lá segui rumo a esta simpática cidade na companhia do Basco. Felizmente além de comer ainda tive a oportunidade de assitir a um concerto de jazz com músicos muito criativos! Valeu a pena o dia lá passado!

Seguimos depois para o que seria zona de selva, Villa Tunari, onde encontrámos amigos de La Paz (Solene e Guilhermo) e um novo amigo cataläo (Lluis). Mais uma vez, num dia démos a volta ao "pueblito" e ainda aproveitámos para ver os "monitos" do parque Machia. Foi o ponto alto do dia! :D Vejam as fotos!
Ás 2h da manhä, pusémo-nos ao lado da rua que seguia até Santa Cruz à espera dos buses que vinham de Cochabamba. O plano era pará-los e entrar...prática corrente nestas terras...Assim foi, pouco tempo depois aparece um bus, que só tinha um lugar livre, e como nós éramos 3 (eu e os espanhóis) näo deu...esperámos mais um bocadinho e surge o veículo alado onde viajaríamos entalados entre mamitas, em bancos de molas soltas e aroma saturado. O pormenor mais interessante desta viagem, foi que nos puséram as bagagens num dos alçapöes da parte baixa do autocarro...e dizem voçês: Perfeitamente normal!...E sim, até seria, se nao estivésse a dormir lá uma pessoa durante toda a viagem e nem quando chegámos a Sta Cruz, e retirámos a mala aquela alma de lá saiu!! Precisarei de dizer mais alguma coisa?
Em Sta Cruz näo parámos...o objectivo final era a simpática vila de Samaipata. Turística ao que consta, mas com ruinas Inkas por perto e carregadinha de caminhos para percorrer no meio da natureza! Assim sendo, e como diziam que em Sta Cruz nao valia a pena parar, apanhámos logo outro bus pequeno e seguimos viagem.

Samaipata foi sem dúvida o meu ponto alto da Bolívia! Vila pequena, com alguns alemäes e estrangeiros de outras nacionalidades a coordenar alguns restaurantes e padarias que me mataram a saudade de tantas "delicatéssem" europeias! E o tempo era óptimo, e verde por todo o lado, e uma sensaçao de conforto e de estar no lugar certo!
Fiquei a saber que se iria festejar o solstício de inverno numa das maiores ruínas Inkas do pais, numa pedra/rocha totalmente talhada no topo de uma montanha sagrada. Era o que precisava de ouvir para me decidir a ficar ali à espera deste grande festejo. Uma semana foi o tempo que ali passei e dou por bem gastos os dias de ritmo lento e pouca ocupaçao. No início da semana, para aproveitar a estadia de poucos dias dos espanhóis, ainda fui fazer uma caminhada e tentei ir até Vallegrande ver o balneário onde o CHE foi fotografado morto, o "lavadero" onde o limparam, e todas as esculturas e obras em sua honra. Neste dia fatídico näo passei da casa de banho do museu, onde tive uma poderosa recaída da gastro, a minha terceira, e acabei por ter de passar o dia na clínica mais próxima. Vallegrande definitivamente näo é cidade para ninguém, que o diga o companheiro Che!!
Este foi mais um dos motivos que me levou a permanecer no pequeno paraíso que tinha encontrado neste pais. Armada de desculpas para ali permanecer, apenas vos posso dizer, que entre aulas de artesanato, fogueiras nocturnas e dias de sol deitada a rede, tive uns dias santos de espera pelo famoso solstício. E assim, no dia 21 subímos ao monte onde a cerimónia decorreria e lá esperámos toda a noite pelo amanhecer que os Xamans da regiäo iriam abençoar. Uma cerimónia simples, com insensos, cânticos e uns quantos raios de sol a espreitar por entre as núvens...Que emoçäo!!!

Parte II- Partida para o Sul

Um novo ano Inka nasceu!! Dia 21 começou o novo ano e para mim começou uma nova etapa de viagem...a descida ao sul!

Relatei-vos num pequeno/grande texto anterior a este, alguns dos problemas que eu e a Soléne encontramos na nossa tentativa de seguir viagem de forma económica. Só para que tenham uma ideia mais precisa do que foi, acrescento que se tivéssemos ido de bus directamente de Samaipata demorávamos 12h...com o caminho que acabámos por escolher por confiarmos nas vozes do povo, demorámos cerca de 2 dias e duas noites...enfim, Bolivia no seu melhor!!

O pior, foi que depois de uma semana de paz e sossego, tive uma semana de corrida contra o tempo, poucas horas de sono e pouco conforto.

A saída de Samaipata já sabem como foi, e quando finalmente chegámos a Sucre, a täo desejada cidade, tive logo de comprar o bilhete de bus para seguir ainda mais para sul, para Tupiza, de onde faria um tour de 3 dias pelo salar de Uyuni, um dos maiores do mundo. Tudo isto, para conseguir estar a tempo e horas na cidade Argentina onde combinei com a Inês o reencontro. O tempo urgia e näo foi fácil cumprir com o prometido, ainda assim, como dizia, chegámos de manhä a Sucre, dei uma volta pela cidade, papei uma comidinha que desconhecia no mercado central e ao fim do dia estava de novo no bus a caminha de Tupiza.

Cheguei a Tupiza as 5h da matina, e na propria estaçao de bus encontrei um Françês e um Quebéquiano com intençöes de fazer o mesmo tour que eu, com saida nesse mesmo dia o mais cedo possível! Depois de uma horas de espera para que as agências abrissem, lá conseguimos o que procurávamos...gastei até ao último centavo boliviano e americano que tinha comigo, e lá fui eu fazer o meu último tour neste país...o täo esperado Salar de Uyuni!!!

Três dias e duas noits a dormir em hoteis sem água e camas duras, mas com um guia e cozinheira! Comi que me fartei o dia todo, mas para compensar, e porque o tour normal era de 4 dias e nós quisémos fazê-lo em 3 por causa da falta de tempo, dormi sempre cerca de 5/6 horas, e isto porque íamos para a caminha as 21h!!! Sim, porque saímos sempre as 3h/4h da manhä para conseguirmos precorrer os Km diários necessários para cumprir os prazos!!
O bom de tudo isto foi que tivémos sempre a possibilidade de ver o nascer e o pôr-do-sol naquelas paisagens lindíssimas e quase lunares...excluindo o magnifico salar, cuja brancura e planura me espantaram mais do que imaginava! Mais uma vez...espreitem as fotos!!

A prova foi superada com êxito e lá corri eu de novo para o bus, passei a fronteira da Bolívia e eis-me de novo nas terras civilizadas e galäs da Argentina! Mesmo de pele e feiçöes parecidas aos Bolivianos, bastou passar a fronteira para imediatamente a espontaneidade das pessoas e o conforto dos buses mudar!! Que bom estar de volta ás viagens de horas a fio com filmes e refeiçöes a bordo!!! Saudades deste conforto!!!

E pronto...foi assim que passei as minhas semanas na Bolivia...no inicio mais "despacito", no fim mais a correr pela falta de tempo...num misto de ódio e amor pela passividade Boliviana, num misto de repulsa e curiosidade pela comida que tanto mal me fez mas que täo boa era...
Hoje posso sem dúvida dizer que quero voltar...sabe-se lá quando, mas é um pais com muito para ver e eu fiquei com a sensaçäo de que me faltou mesmo muito...

terça-feira, 29 de junho de 2010

Bolivianísses...

Na clínica de saúde, numa recaída de gastro (again!):
Médico- Entäo diga-me lá, de onde é?
Eu- Portugal
uns minutos...
Médico- Entao diga-me lá, de onde é no Canadá?
Eu- Sou de Portugal...
Médico- Ah, pois, já me tinha dito!
Depois de fazer umas coisas..
Médico- Percorreu uma grande distância para chegar até aqui. EU gosto muito do Canadá!
Eu- Pois...mas eu sou de Portugal...tb é uma grande distancia...
Médico- Hummm
um pouco mais tarde:
Médico- Isto aqui até näo está mal de tempo, no Canadá agora é inverno, näo é?


No dia em que eu e a Soléne resolvemos ir à boleia até Sucre no terminal de Samaipata perguntámos:
Nós- O bus para Sucre quanto custa?
Sr.- 90 bolivianos
Nós- Entäo e há outro bus mais barato?
Sr.- Näo, só este.
Nós- E se formos até Vallegrande e de lá tentarmos apanhar um bus para Sucre, será mais barato? Existem autocarros de lá?
Sr.- Sim, de lá podem facilmente ir até Sucre.
Nós- Boa!

Apanhamos boleia de um camiäo até Vallegrande...chegamos de noite e dirigimo-nos ao terminal:
Nós- Boa noite, há autocarro esta noite para Sucre? Queríamos viajar de noite...
Sra.- Näo, para ir para Sucre têm de ir por Mataral..
Nós- Nao?!?! Mas existe uma estrada no mapa!
Sr.- Sim, mas essa rota é muito má, e só há colectivos (mini-bus cheios de gente!) ao domingo e segunda e hoje é terça!
Nós- É que nós acabámos de passar por lá! Nao queríamos voltar para trás e muito menos ter de esperar pelo próximo domingo...Existe alguma outra possibilidade de sair de Vallegrande em direcçao a Sucre?
Sr.- Nao

Dormimos essa noite em Vallegrande e resolvemos tentar no dia seguinte boleia pela estrada má, rumo a sul para nao ter de voltar atrás na rota. No mercado, depois do pequeno almoço:

Nós- Bom dia, sabe se há colectivos hoje para Sucre?
Sra.- Humm...nao sei...ò maria, há colectivos hoje? Sim!? têm de ir até villa Serrano primeiro? Ah, entao têm de ir até à rua X
Nós- sim?!?! entao e a que horas passa?
Sra.- Deve ser lá para as 12h30/13h

Chegadas à rua X somos abordadas por uma taxista:

Taxista- Para onde väo?
Nós- Estamos à espera do coletivo para ir até Villa Serrano..
Taxista- Isso hoje näo väo conseguir! Os colectivos para lá säo só aos domingos e segundas! O melhor que têm a fazer é ir de taxi até XPTO e de lá depois irem de colectivo, que de lá hoje há!
Nós- Nao há colectivo? Disseram-nos que sim!
A Taxista insiste, junta-se gente...cada um opina num dia em que o colectivo passa, mas o que é certo é que nao existe hoje!
Infelizes vamos até à loja do canto ver se havia pilhas, que näo tinhamos...um sr à porta pergunta:

Sr- Para onde väo?
Nós- Queríamos ir até Villa Serrano para chegar a Sucre. Existe colectivo hoje, ou alguma maneira de ir em direcçäo ao sul hoje?
Sr.- Sim, podem apanhar o colectivo até Villa Serrano nos arredores da cidade!
Nós- Mas há hoje?
Sr.- Sim...deve passar lá para as 14h.
Nós- 14h? Disseram-nos 13h!
Sr.- Näo...sigam até à escultura do cavalinho esperem lá e por volta das 14h há-de passar o colectivo!

Seguimos de mochilas ás costas e didge em punho, como havíamos estado desde o início rumo aos arredores da cidade, à procura da escultura do cavalinho.
Esperamos... Passa uma sra:

Sra.- Estao à espera do colectivo?
Nós- Sim!
Sra.- Hoje nao há! Só Domingos e Segundas!
Nós- Mas disseram-nos que havia hoje e que passava às 14h.
Sra.- Olhem que nao...

Resolvemos esperar e ir pedindo boleia até as 15h e se nao passásse nenhum carro desistiamos e andavamos para trás, para Mataral e de lá ir a Sucre! Esse existia de certeza!
15h...pegamos nas coisas e pomo-nos a caminho do terminal. Estado de espírito: Sentimento de frustraçao e de um dia perdido!
A caminho do terminal resolvemos perguntar a uns srs. que nos dizem para esperar até às 17h, que nesse dia havia de certeza 3 companhias que passavam até Villa Serrano e que de lá havia bus de noite até Sucre.
16h30 aparece um bus...negociamos o preço e lá entramos rumo a Villa Serrano! Afinal existia! Perguntamos a uma Suiça que estava no bus até que horas era suposto chegarmos. Diz-nos que no terminal lhe disseram que seria às 19h, mas que quando entrou no bus o motorista lhe disse que seria só as 24h!!!

Nós- E há bus para sucre à noite?
Ela- Näo, parece que o primeiro é às 5h da manhä!
Nós- Bem, com o atraso que o bus deve ter, só devemos chegar à 1h da manhä...näo deve valer a pena pagar quarto...esperamos 4 horas no terminal e dormimos depois no bus!
Ela- Ficarei com voçês!

Chegadas a Villa Serrano à praça central da vila, ás 24h30...perguntamos a um sr. a que horas saem os bus para Sucre. Responde que só as 6h da manhä
Resolvemos esperar na praça e entretemo-nos o resto da noite a conversar na praça, enroladas nos saco-cama.
5h30 da manhä aparece uma sra. Perguntamos a que horas abre o mercado para podermos ir tomar o peq. almoço. Diz-nos que só as 6h. Perguntamos a horas sai o primeiro bus para Sucre...diz que será as 7h da manhä...
6h vamos até ao mercado comer... 7h vamos até ao guichet do bus para Sucre que entretanto abriu com o nascer do sol:

Nós- A que horas sai o bus para Sucre?
Sra.- às 7h30

NO COMENTS!!!!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Êxodo urbano

Finalmente cá estou eu a dar noticias. Nao foi por falta de vontade que nao o fiz mais cedo...simplesmente o acesso à internet tem sido limitado...afinal de contas estou enfiada num Vale no meio do campo :)
Enfim, as saudades apertaram e resolvi revisitar a Argentina, mais precisamente Uspallata. E por aqui tenho estado nesta terra lindissima (é uma pena nao poder mostrar-vos mais fotos deste lindo lugar, mas já sabem o triste fim que teve a minha máquina fotográfica...)a entreter-me com uma série de coisas nomeadamente ajudar (entenda-se que apenas com apoio moral) a preparar um programa de uma rádio comunitária, ir assistir a corridas de galgos com uma família bem campesina que tem 3 niños bem listos, ir passear junto ao rio com o Amador, que é um cao que parece uma ovelha de tao felpudo (e que cresceu imenso desde a ultima vez que o vi!)... correr atrás da porca, quando ela está com as regras e se enfurece e decide fugir da sua "residencia"... enfim, acima de tudo disfrutar desta calmaria e desta rotina "gringa" que tanto me agrada.
Mas entretanto, vale a pena voltar um pouco atrás, para vos dar conta da minha visita ao Museo de la Coca, ainda em La Paz. Foi das poucas coisas uteis que consegui fazer naquela cidade onde nao senti boas vibraçoes...
Enfim, nao quero tecer grandes comentários, mas apenas dizer que,apesar de pequenito e um pouco pelado (já foi vitima de alguns furtos), o museu está bastante completo. No início a pessoa tem a impressao de que está presente apenas uma perspectiva: a da defesa acérrima daquela folha milgarosa, utilizada já desde o tempo dos incas para efeitos médicos (imaginem como era preciso anestesiar o corpo para fazer cirurgias naquela época), espirituais (era também um símbolo de contacto com o divino)e mais tarde como alento para os trabalhos forçados que eram impostos pelos espanhóis.
Mas afinal fala-se também dos tratamentos químicos,da produçao de cocaina e dos efeitos nocivos desta droga no cérebro do homem branco, que a transformou em veneno (claro que sempre segundo a optica de que os países ricos do Norte vieram apropriar-se deste tesouro e sugar todos os seus dividendos (a industria farmaceutica é disso um exemplo paradigmático). A exposiçao termina com a ligaçao directa entre a folha de coca e a Coca-Cola, com a assunçao de que inicialmente esta marca de refrigerante utilizava a coca na confecçao da bebida. Parece que isto é um dado adquirido e eu era das únicas tontas que ainda nao sabia... mas sinceramente nao fiquei convencida... apesar de tudo é demasiado fácil associar este símbolo do capitalismo a uma adiçao mal afamada. Por outro lado o nome é realmente comprometedor...enfim, cada um que retire as suas conclusoes...
Entretanto, por falar em coca, registo ainda outro episódio: o facto de, na minha viagem rumo ao Sul, ter ficado retida durante duas horas na periferia de La Paz, devido ao controle da mercadoria. Aparentemente tinha havido uma denuncia. Aparentemente estava a sair da Bolivia mais coca do que era permitido. Todos os veículos tiveram que ser inspeccionados.
Depois desse contratempo, todo o resto da viagem se desenrolou pacificamente. Intrigou-me particularmente o facto de, no sul da Bolivia, o percurso do autocarro acompanhar e cruzar várias vezes a Panamericana, mas raramente seguir sobre ela. Avistamo-la longa e pavimentada ao nosso lado, mas o motorista insiste em seguir pelos trilhos de terra batida aos solavancos... E de tempos a tempos avistam-se operários que trabalham na sua construçao. Quando tiver mais tempo hei-de investigar mais sobre esta famigerada estrada, projectada desde há tanto tempo, que tanta polémica tem gerado... e que se teme interminável...como as obras de Santa Engrácia!
E por falar em Santa Engrácia, viva Lisboa e vivam os Santos Populares!
Lembrei-me bastante da minha cidade nestes dias e imaginei as ruas cheias de gente, o cheirinho a sardinha assada e a música do bailarico popular.
Espero que todos se tenham divertido muito! A Bica é linda!
E amanha a ver se consigo ver o jogo de Portugal! A vitória será celebrada pela única tuga que circula por estas bandas. prometo dar o meu melhor :p

domingo, 6 de junho de 2010

Segue a aventura...

Pois é...uma semana após, muita coisa já passou e nós sem darmos sinal.
Motivos?
Por onde começar...?
Chegámos a La paz na quinta passada. Cá encontrámos o nosso amigo Alexis e muito rapidamente fizémos mais amigos...Tom, Josú, Cristian, Lorena, Xani...em pouco tempo La Paz revelou-se uma cidade difícil de largar...de tal maneira, que ainda cá estou! :D

Nos primeiros dias tivémos a felicidade de apanhar a festa do Gran Poder, onde infelizmente o Alexis ficou sem carteira e a Inês sem a sua máquina fotográfica...Afinal é verdade a fama que tem esta cidade!! Felizmente que a máquina tinha um cartao com poucas fotos, e já tinha alguma idade...nevertheless, foi uma pena!

Tive oportunidade de ir dançar a uma "Peña" (discoteca local) onde os autóctones nos acolheram com grande meiguice, nao se cansando de nos tentar ensinar a dançar como eles, abanando a cabeça e os braços como uma galinha louca!! Parece estranho, mas cheguei à conclusäo que deve ser a única maneira de conseguir dançar as músicas bolivianas! Já no cortejo da festa do Gran Poder, que tivémos o prazer de apreciar no dia seguinte à nossa chegada, e que dura das 8h da manhä até as 24h, todos dançavam dentro deste estilo mas desta feita com trajes coloridos e máscaras!
No meio da confusäo ainda reencontrámos um casal françês que também esteve connosco em Säo Pedro de Atacama, o Greg e a Cecile.

La Paz revelou-se um ponto de encontro e toda a gente mais tarde ou mais cedo vem aqui parar e estranhamente tem dificuldade em sair!! Eu sou exemplo disso!
Depois das festas e de entretanto também eu ter ficado sem o meu cartäo de multibanco porque uma máquina o resolveu engolir (felizmente parece que o vou reaver na segunda!) resolvi dedicar-me à aventura!

Nada como começar a semana com a famosa estrada da morte de bicicleta!!
Ruta de la Muerte!!
Famosíssima por ser uma estrada de montanha que desce dos 4700m até aos 1200m por entre vegetaçao tropical, onde muitos acidentes aconteceram até que o governo finalmente resolveu pôr apenas um sentido na dita cuja, e mais tarde impedir o trânsito que lá circulava e fazer outra estrada... Posso dizer que mete medo sim sr...Eu ainda por cima apanhei tempo de chuva e neblina.

Éramos 4 (eu, o Josú (basco), e um casal de franceses, Marion e Romain), equipados a meio gás (nada como fazer as coisas na empresa mais barata, ver os outros de capacetes fechados e impermeável e nós de capacetezinho de bicicleta, e molhados até aos ossos!! Ninguém avisa!!!!!) mas sempre de boa disposiçäo!
Eu, como nao podia deixar de ser, era a última! Sempre antes do carro patrulha...chegaram-me a doer os dedos de tanta força a agarrar o guiador, mas fiz tudo, e vale realmente a pena! Nada como uma estrada de pedra, areia e precipício para nos mostrar que a vida vale demasiado!
Para complementar esta sensaçao, tínhamos um guia muito porreiro (de seu nome Elvis) que ia contando as histórias da estrada e referindo os locais onde no ano passado morreu uma pessoa em maio, um guia em agosto (altura em que parece que a terra tem sempre fome e precisa de carne!) por se ter desiquilibrado enquanto tirava uma foto ao grupo, e este ano, há cerca de dois meses uma Israelita...muitas cruzes pelo caminho e eu nem queria imaginar onde acabava o precipicio, pois a neblina impedia que se visse tudo...Felizmente que os travöes nunca falharam!! :D

Depois disto, e uma vez que a grupeta formada para esta aventura funcionou, fui convidada, juntamente com o Basco a juntarmo-nos ao casal françês e fazer um treck de 3 dias pela famosa Ilha do Sol no lago Titicaca! De referir que esta seria a terceira vez que tentaria lá ir, pois com a minha irmä já havia tentado 2 vezes...escusado será dizer que neste momento só posso concluir que só me estava destinado a mim fazer tal visita, pois finalmente os astros permitiram o meu acesso a esta fabulosa ilha localizada neste lago sagrado a cerca de 3800m de altura. O pico mais alto da ilha foi a cerca de 4100m.

No final de 3 dias passou a 4 e foi muito muito bom! As vistas eram fantásticas, as ruinas muito bonitas e a experiência do camping selvagem foi do melhor! E o pôr-do-sol e o amanhecer säo indescritíveis!
Cozinhámos sempre na bela da fogueira feita com o que se encontrava no local onde resolvíamos acampar...nem sempre foi fácil, mas comêmos sempre!! heheh
Ao todo conseguímos o milagre da multiplicaçao, e fizémos render 2 abacates, 0.5kg de kenua, 0.5kg de arros, 5 salsichas frescas, tomate, pepino, 20 päes, duas sopas instantâneas e 4 cebolas para os 4 dias para as 4 pessoas!! Eu näo achei nada mau!!

Agora, de volta ao aconchego do hostel em La Paz, continuei as visitas e hoje fui ver as ruinas Pré-Inkas de Tihuanaku. Valem a pena, mas näo estäo no seu melhor estado de conservaçao e säo muito caras!
Mais...ainda pensei em fazer parapente aqui na fabulosa e autêntica cidade de LA Paz, cuja configuraçao deve valer bem a pena ser vista de cima...mas o preço... :( ...é que isto aqui é barato...mas o meu orçamento começa a ficar reduzido e com tudo oque ainda falta ver neste pais tenho de ser comedida!

Já estäo cansados de ler?
Entäo vá, deixo para o próximo post a descriçao deste povo...que embora muito parecido ao peruano vale a pena uma pequena descriçäo!

sábado, 29 de maio de 2010

O tempo voa...mas a Gastroentrite näo!!

Pois é meus amigos...Näo há quem páre o tempo!
Ainda há pouco estávamos em Lisboa e nao tarda faz 4 meses que estamos fora...ainda há pouco estiveram cá as Anas...
Ainda há pouco as ventosas se separam e fui à Ilha de páscoa...ainda há pouco sairam de cá os fabulosos 4...e sem dar por ela, tenho a sensaçao que foi ontem que tive a minha primeira gastro, e afinal, ela nao tinha passado com o tempo, como tudo o resto...esta veio para ficar!!!! Ahahahaha

Pois é, regressei de Nazca, onde me despedi da minha querida irmä e Vilhs com muita tristeza e de gastro em grande ebuliçao...uma vez mais! Já nao posso ouvir falar da dita cuja e no entanto näo há meio dela perceber que nao a quero por perto!

Mas antes que me esqueça...
Nazca! Fomos os três "pa"Nazca e foi lindo!
Cometêmos a loucura de estoirar mais uns dólares e resolvemos subir a uma avioneta e ver as famosas linhas lá do cimo e valeu bem a pena!
Estávamos os 3 eufóricos, parecíamos miúdos! É bastante mais impressionante do que imaginava e só tenho pena que as fotos nao permitam que se perceba a magnificência de tudo o que vimos, porque eu voltei de lá encantada!

Após täo extenuante visita démo-nos ainda ao luxo de dar um saltinho à piscina do hotel que nos vendeu os bilhetes, e a noite terminou com um belo jantar e uma saida ao que julgámos que seria a discoteca local!
As únicas descriçoes que me atrevo a fazer: meninas de indumentária algo reduzida, homens baixinhos...muitos...e sem porta no WC que dava directamente para a sala!!! Luz vermelha, um palco com um varao no meio onde esperámos a qualquer momento ver uma "senhora" empoleirada, e uma wc de mulheres onde pingava (sabe-se lá o quê, pois felizmente as luzes eram muito poucas!) em cima de quem quer que tentásse realizar as suas necessidades na sanita...todo este cenário só me deixa concluir, que o meu corpinho sentiu-se tao confortável que no dia seguinte me agradeceu com o retorno da minha amiga Gastro!! Aquele local, foi algo que nunca esquecerei, e que coroou o fim da estadia da minha irmä e do Vilhena! Viva a disco de Nazca!!! :D

E assim foi que regressei aos braços da minha querida companheira de viagem que me esperava em Arequipa: em total desarranjo!

Após 3 dias de dormir horas a fio, café e molenguice, eis que resolvêmos que estava na hora de seguir viagem em direcçao à Bolivia! A viagem estava marcada para a noite...ao fim do dia aqui a "je" começou novamente a sentir-se mal (como já vai sendo hábito!) mas mesmo assim seguimos viagem para o que pensámos que seriam as últimas horas de bus no Perú.

O bus...esse täo amado meio de transporte sul americano...foi a minha desgraça!
O cheiro era intenso e nauseabundo...atrás de mim um senhora vomitava..o meu estômago ás voltas...frio...o meu intestino ás voltas...e nao aguentei mais...tentei ir à wc...trancada...fui ao condutor e a resposta foi:
-Senhorita, tiene que usar los baños ecológicos!
No bus a Inês, mais tarde, disse-me que se ouviu rir...
Eu ainda hesitei...perguntei: E isso onde é?
- A fuera senhorita! Atrás, donde encuentre! Disse o motorista perante a minha cara de incrédula...e eu juro que só me apetecia saltar-lhe em cima!!!!
Que amargura, que afliçao...lá fora só homens a urinar ao ar, nem um local abrigado p mim, eu com medo de ir muito longe nao fosse alguém estar por lá e me atacar...e as cólicas...ai as minhas cólicas...Foi, infernal esta viagem!!! Infernal!!!

Conclusao, dada a situaçao, acabámos por nao chegar ao destino, e resolvemos ficar numa vila antes, onde procurámos um hostal as 3h da manhä onde eu pudésse descansar e no dia seguinte ir ao hospital! Abençoada Inês que se nao estivésse a meu lado nao sei se nao teria corrido pior...Só me lembro dela, de manta polar de riscas aberta, só com a cabecinha por cima, a tapar-me enquanto tentava libertar ao mundo o meu mau estar e deixava atrás de mim um rio... Pobres de nós, senhoritas perdidas neste mundo sem regras!!!!

Dos dias seguintes apenas me lembro que a grande Inês nada deixou que faltásse, e a vila que nos acolheu, afinal tinha mesmo um hospital bem agradável e onde fui muito bem tratada, e onde até um concurso de danças na escola local tivémos o prazer de apreciar! Foi uma estadia santa, de muita calma e tranquilidade e onde pude finalmente ser diagnosticada e medicada convenientemente! É DESTA QUE A MATO DE VEZ!!!

Hoje, já em La Paz, posso afirmar que foi o melhor que fizémos, e que foi uma das vilas que melhor nos acolheu! Obrigada Juli!!!!

Acho que depois desta posso finalmente deixar de falar do meu problema "gastroentrítico" e voltar a falar do bom que é viajar e estar aqui, e conhecer tanta gente interessante!! Viva, viva, viva!!!!! :D

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Perú visto daqui

Agora que terminaram as 3 semanas alucinantes às voltas pelo Perú, na companhia dos 4 estarolas (neste momento eles já estarao no aviao a caminho de Lisboa) tenho um tempinho a sós (a Claudia foi "pa"Nazca e só regressa a Arequipa hoje à noite) para calmamente poder colocar a conversa em dia.
Impoe-se entao um post mais analítico, resultante da "digestao" de todas as vivências que fomos tendo neste país e dos seus costumes.
Desde que entrámos no Perú, que observámos a atroz diferença entre esta economia e a dos outros dois países por onde tínhamos passado. E sentimos que tínhamos chegado a um território designado (classificaçao já ultrapasada mas enfim) de "terceiro mundo". Fomos obrigados a esquecer a sociedade acéptica em que normalmente vivemos, protegidos pelas regras da ASAE e da Uniao Europeia.
Aqui, a carne é cortada e vai secando nos balcoes dos mercados, com uma higiene duvidosa e sem qualquer tipo de refrigeraçao. Aqui encontram-se baratas nos restaurantes e nos quartos dos hostais. Aqui as casas de banho nunca têm papel e algumas nem sequer água canalizada. Aqui vende-se sumo em sacos de plástico com uma palhinha espetada e copos de gelatina que aquece à temperatura ambiente. Aqui as crianças que vivem no meio rural têm as bochechas em crosta, tostadas pelo sol intenso e impiedoso em peles frágeis que nunca viram a cor de um protector contra raios ultravioleta. Aqui as casas estao eternamente inacabadas. O tijolo à vista e os ferros espetados nos telhados revelam o desejo de um futuro acrescento (para quando houver dinheiro, ou quando os filhos constituirem família, oxalá nao haja nenhum terremoto que destrua tudo e os obrigue a construir tudo de novo!). Aqui anda sempre uma pessoa pendurada nas portas dos autocarros a gritar o destino para onde se dirigem e a angariar fregueses (durante o tempo que estou aqui neste cyber, vou ouvindo consecutivamente esses vários pregoes). Aqui temos que estar sempre a regatear o preço de TUDO (e sabemos que por mais que baixemos a fasquia, estamos sempre a ser enganados, como bons turistas que se prezem) e quando recebemos uma nota, temos que verificar vezes sem conta que nao é falsa (eu fui a primeira contemplada com uma dessas e a partir daí nunca mais nos deixámos enganar! deixa cá ver a qualidade do papel! deixa cá ver se os números brilham, se se vê à transparência!).
Como já vimos nos posts anteriores, também fomos obrigados a esquecer as regras de transito e os limites de velocidade. Aqui os motoristas revelam um total desrespeito pelo valor da vida humana . Assistimos a várias ultrapassagens que nos meteram os cabelos em pé. Além disso, aqui uns meros 200 km demoram sempre 6h a ser percorridos devido ao mau estado das estradas.
De resto, apesar de todo este caos, os peruanos assemelham-se aos seus vizinhos sul americanos. Sao um povo simpatico e relativamente acolhedor. Muito devotos a todos os santos, bastante musicais (aqui também existe o culto dos clássicos anos 80) e tendo o turismo como uma das principais fontes de receita (tudo é pretexto para sacar mais alguns soles aos estrangeiros).
Estou agora em Arequipa e aqui pretendo permanecer uns diazinhos de relaxe, para recuperar do ritmo acelerado dos ultimos dias.
Arequipa é a segunda cidade do Perú. Está bastante cuidada. Sobrevivem muitos edifícios, igrejas e mosteiros do tempo dos espanhóis. É uma cidade repleta de vida, recheada de mercados onde se vende de tudo e todas as ruas se enchem de animaçao desde o alvorecer (em contrapartida, às nove da noite já quase nao se avista vivalma). Visitámos um museu que guarda uma das múmias mais bem conservadas do Mundo, encontrada perto da cratera de um vulcao aqui próximo, Juanita de seu nome, e oferecida àquela montanha como prova da devoçao dos incas aos seus deuses. Aí pudémos aprender um pouco mais sobre os significados presentes nos rituais fúnebres daquele povo, diferentes consoante as classes sociais de onde provinham as crianças sacrificadas, as quais deveriam possuir uma beleza imaculada.
Nos últimos dias o grupo separou-se. Três dos estarolas seguiram para Nazca e foram avistar as famosas linhas que desenham figuras gigantescas nos campos, cuja percepçao total apenas se pode ter a partir de céu (ou de uma avioneta). A outra ventosa depois nos contará a experiencia.
Eu cá fiquei com o Russo e a Mila. Fomos até Chivay, um pueblito a 4h de distancia. Dormimos num hostal bem simpático, onde vivia uma família e um lama bebé que parecia um cao. Visitámos o Valle e o Cañon del Colca, um dos mais profundos do Mundo e avistámos muitos condores, a planar bem juntinho dos nossos olhos. Também aprendemos a diferença dos trajes típicos entre quechuas e aymaras, collaguas e cabanas, solteiras e casadas :)

terça-feira, 18 de maio de 2010

Perú update!

Pois que a ventosa aniversariante aqui está entäo para relatar os últimos acontecimentos!!
O festejo do meu aniversário foi, como descrito, algo complicado devido a uma fabulosa gastroentrite viral que adquiri sabe-se lá como!! Em Cuzco como disse a Inês, quando começaram as celebraçoes, ainda apenas estava com um mau estar que poderia ser também devido à altitude (o que na verdade correu muito bem, porque os meus amiguinhos aproveitaram o dia em que fiquei na caminha para me comprarem todo o tipo de regalos!! só presentes...häo-de ver as fotos!), mas em Águas Calientes o estado da coisa já era täo mau que teve mesmo de ser chamado um médico ao quarto e aqui a "je" ficou a liquidos durante uns bons dias!!

Ainda estive assim durante um tempo em Puno, primeira cidade junto ao Lago Titicaca onde "atracámos"! Fomos como sempre "atacados" no terminal de bus pelos autóctones que nos tentavam impingir estadia e mais uma vez lá encontrámos um lugar que nos satisfez aos 6. Foi um dia complicado, pois o regresso de Águas Calientes, além de longo e dentro daquela camioneta de 12 apertada e cheia de sustos devido há boa conduçao dos peruanos, ainda continuou com uma corrida até ao terminal de Cuzco para apanhar o bus da noite para Puno...penso que falo por todos quando afirmo que já nao há quem nos assuste com viagens de bus! Depois da experiência das longuissimas e agitadas viagens de bus pelas estradas do Perú, näo haverá nenhuma pequena viagem até trás-os-montes que nos assuste!!!

Puno é uma cidade animada e acolhedora...o sol brilhava e o frio só aparecia à noite...fomos até ás ilhas flutuantes dos Uros e apanhámos a maior desilusäo da viagem!! Tirando o Vilhena, que se animou com a aventura turística, a opiniäo foi unânime...é demasiado preparado para os turistas, e toda a encenaçao é täo evidente que näo há como ter uma opiniao muito positiva daquele lugar. Vale pelo facto das ilhas serem feitas pelo Homem e por termos a capacidade de imaginar como aquilo teria sido originalmente porque de resto....mau!!!!

Seguimos de Puno para a Bolívia...mais propriamente Copacabana, do outro lado do lago Titicaca!! Os meninos e meninas ficaram com o carimbo da Bolivia e eu e a Inês enchemos mais meia página com mais dois carimbos...começo a duvidar que com tantas passagens de fronteira, que as folhas dos nossos passaportes sejam suficientes!!!

Ficámos duas noites em Copacabana, levantámo-nos duas manhäs bem cedo para apanhar o barco para as ilhas do Sol e da Lua, e duas vezes fomos pedir a devoluçäo do dinheiro do barco até lá devido ao vento que se levantou sobre o lago e que impossibilitou a navegaçao...ainda houve um barco que se aventurou, mas rapidamente teve de regressar...enfim, uma das nossas primeiras frustraçöes e sem dúvida a maior dos nossos 4 companheiros!!
Valeu sem dúvida pela possibilidade da compra de muitos regalos a preços mais baixos...täo baixos que quase nos desgraçámos!!! Bem...na verdade...desgraçámo-nos à grande!!!

Para fugir à tentaçao das compras estamos agora em Arequipa...Perú de novo...
Mas isso vai ter de ficar para o próximo post que o tempo de net está-se a esgotar e a fome aperta!!!