A verdade é que não há como o trabalho do campo para descansar o corpo e a mente... ou melhor, a mente, porque o corpinho andou uns tempinhos a resvalar os limites da dor!!
Que o diga o meu amigo Luis, que este ano aceitou o convite para se juntar a mim em mais um ano de vindimas em Voigny, uma pequena aldeia localizada na região de champagne de França.
Para mim, já se trata de uma tradição, algo que faço há anos e onde cada ano torno a reencontrar pessoas que já se tornaram parte da minha familia e de quem gosto imesurávelmente.
Este ano pensava que não conseguiria comparecer, mas quis o destino que o meu estômago adepto de gastroentrites juntamente com a necessidade de ganhar dinheiro para seguir a viagem, me proporcionaram o regresso à Europa, e com ele, o regresso a estas terras que tanto adoro!
O Luis, coitado, apesar de avisado da dureza do esforço fisico necessário e da resistência que se tem de ter, acabou logo no segundo dia por sucumbir a uma tendinite no pulso!! Apesar disso, é de louvar a sua persistência e os Ibuprofenos que todas as manhãs e todas as tardes se predispôs a tomar para conseguir chegar ao fim dos 9 dias e meio que este ano vindimámos.
Ainda nos viéram visitar e dar uma mãozinha a Guida e o Hugo, cuja curiosidade por esta façanha era alguma e que, apesar das dores, também se puderam aperceber do que me motiva a regressar quase todos os anos desde há 9 anos.
A Guida e o Hugo já não conseguiram aproveitar tudo e tiveram azar essencialmente no tempo, mas eu e o Luis ainda apanhámos dias de sol escaldante e infelizmente também alguns de chuva...encontrámos gente que ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer e pelo caminho reencontrei outros quantos... Fizémos festas e convivios e bebêmos champagne até enjoar do cheiro, comêmos as delicatéssens da Irene ao ponto de eu me dar ao luxo de engordar os quilos que tinha perdido com o stress Lisboeta e hoje, posso finalmente dizer, que apesar do cansaço estou pronta para seguir viagem!
Tivémos ainda oportunidade de assistir, ainda que meio adormecidos pelo cansaço, a uma noite de caça ao pato!! A caça por estas zonas é intensa. Dos javalis, aos veados, passando pelos patos, coelhos... enfim, não fosse assim e nunca teria a oportunidade de experimentar pratos que só por cá se cozinham frequentemente e com aquele toque caseiro que nenhum restaurante consegue imitar!! Isto para já não falar das tartes, sopas carregadas de queijo Gruyére e natas, entradas requintadas, molhos e molhengas, crepes, uma variedade enorme de cogumelos e tudo o mais que aqui se come em doses generosas para compensar a dor aguda que pica nas costas cada vez que nos levantamos na vinha e acreditem, que compensa mesmo!
Posto isto, e como tudo o que é bom também acaba, hoje pusémos as rodinhas das nossas malas carregadas de garrafas de champagne de volta à estrada e seguimos até Paris, onde ficaremos a aguardar o dia do regresso a Lisboa em casa de mais uns amigos/"familia".
Vai ser bom regressar e rever todos novamente, ainda que seja por uns poucos dias mais...
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Vindimas a Voigny!!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
arte e agricultura
Mais uma visitinha de médico ao cyber.
Mais um post curtinho, apenas para abrir o apetite.
Desde que voltámos de Buenos Aires, começou a actividade intensa.
Abrimos finalmente um puestito de artesanato na Plaza de los Artisanos, no "centro" de Uspallata. É muito bonito e vai-se enchendo com cada vez mais artigos, à medida que vamos produzindo. Apostamos principalmente em objectos feitos com materiais reciclados, ou que normalmente sao considerados lixo. Ainda nao fizémos muitas vendas mas os comentários dos visitantes têm sido positivos :)
Aparte isso, cultivei a terra pela primeira vez na minha vida e adorei.
Fizémo-lo no primeiro dia da Primavera, aproveitando tambem o poder da lua cheia. Dizem os entendidos que foi o momento perfeito. Ontem plantámos abóboras, milho, manjericao, pimentos e cebola e hoje vamos continuar. E o mais bonito de tudo é que trabalhámos a terra de forma completamente artesanatl, com o esforço das nossas maos (os calos assim o evidenciam). De enxada em punho tambem construimos o caminho da água até à nossa quintinha, transformados em castores, moldando aos poucos o terreno deste pequeno paraiso rural.
Hoje vou construir um espantalho :)
Ando a ler Saramago. Desta vez em castelhano. "Levantado do chao" traz-me a lembrança do meu querido Alentejo, também ele cheio de histórias da vida no campo.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
A penitência
Dois meses passaram e apesar de isso significar tão pouco na escala do tempo e da minha vontade de usufruir desta bela cidade e da minha família e dos amigos, a verdade é que me pareceram uma eternidade de cansaço, mesquinhices e luta para não me deixar afundar num mundo que descobri que desgosto bastante!
As obras…as obras são a realização material do que foi sonhado por alguém, e é impressionante como esse sonho em tão pouco tempo se transforma numa marcha penitente que a meio já nos arrependemos de ter iniciado algum dia. Todo um conjunto de ideias, desejos, ilusões e investimento pessoal são depositados nas mãos de alguém que acreditamos que sabe o que está a fazer e que no final, inevitavelmente, em vez de prazer, nos traz descontentamento e desilusão, e tudo o que um dia nos pareceu boa ideia se transforma numa tormenta pela qual não queríamos ter de passar.
Nem toda a gente pensará assim, mas pude comprovar mais uma vez nesta minha curta estadia por Lisboa, o quão penoso pode ser acompanhar obras de perto ou ter uma pessoa próxima a fazer obras na sua casa e caber-nos a nós o seu acompanhamento.
Como sabem, arranjei trabalho enquanto estou por Lisboa. Fiz acompanhamento de obras para a empresa que resolveu aproveitar os meus conhecimentos ao mesmo tempo que essa mesma empresa está a fazer obras na casa da minha mãe! Não o procurei, aconteceu. Na altura achei que era uma sorte bem-vinda... hoje fico feliz por finalmente ter acabado o trabalho que me predispus a fazer para eles durante um mês e meio de modo a juntar o dinheiro que preciso para seguir viagem.
Descobri que é um mundo mesquinho, em que em vez do profissionalismo e rigor o que fala mais alto são os valores do dinheiro. Anda meio mundo a enganar outro meio. Fazem-se orçamentos fora de escala que os clientes ingenuamente aceitam por acreditarem estar nas mãos de gente competente, e eu, no meio disto luto com a minha consciência que é obrigada a ceder aos mandos do “Patrão”, mas que ao mesmo tempo está a ver o cliente a ser ludibriado sem piedade pelo empreiteiro, que com discursos mansos passa por cima de questões, pedidos e chamadas de atenção.
O cliente implora, choraminga para que parem com a matança, que deixem de lhe sugar o papel verde que a custo guardou no banco e que agora vê voar a uma velocidade assustadora e imprevista. Não fica plenamente satisfeito com quase nada do que pediu para ser feito!
No início tudo era perfeito, tudo era possível, tudo fácil de realizar e tudo cheirava a satisfação. No decorrer de algum tempo o amargo do bolso vazio e das ilusões desfeitas começam a tomar forma. Tudo é mais complicado do que parecia, tudo demora mais do que o previsto por isto ou por aquilo, tudo exige paciência e nada pode ser como ele quer, porque afinal é leigo no assunto e eles é que são profissionais, eles é que sabem como e quando se faz.
E chega o dia em que finalmente tudo descamba…o Dono de obra explode de raiva acumulada, ouvem-se discussões tidas como irracionais e todos os pedaços de silicone que foram sendo postos para esconder imperfeições são arrancados à unha.
O vidro parte e só depois de limpar os destroços e sucumbir às evidências é que ele aceita a derrota como mais um golpe da vida que vai ter de conseguir encaixar.
A obra da minha mãe foi assim…as obras que acompanhei também não estiveram longe deste cenário…e hoje recordo a obra da minha própria casa que tanta dor de cabeça me deu…as obras do atelier onde trabalhei, com tantas disputas e saturação por parte dos clientes…
…Hoje estou no avião para Paris na companhia do Luis. Vou fazer as vindimas mais uma vez. Vou juntar mais uns trocos, mas desta vez a dor será apenas física, a cabeça, sei que essa estará leve e flutuante. Finalmente vou sair do suplício que me tirou toda a paz que tinha conseguido durante a viagem à América do Sul. Sinto-o como uma batalha que não venci, e que apesar de não ter sido derrotada levou-me à exaustão, ao cansaço físico e mental, ao conflito e acima de tudo á descoberta de que não quero viver assim, e que qualquer que seja o rumo que a minha vida siga, espero conseguir manter-me longe desta exaustão, porque a vida é para ser vivida, não é para aceitarmos ser espancados pelo trabalho e chegar ao fim com uns tostões no bolso que nos são entregues em tom de compensação pelos danos causados. Espero lembrar-me disto sempre, que estas lições são para guardar!
Bem, e com isto vai longo o texto e qualquer dia expulsam-me deste blog! Porque afinal, aqui pode-se viver ao sabor do vento!!
domingo, 29 de agosto de 2010
Um saltinho à capital
Desta vez, para cambiar um pouco a rotina campesina, escrevo-vos da cidade.
Viémos a Buenos Aires, mais precisamente ao tranquilo bairro de Quilmes, de onde provém a famosa cerveja com o mesmo nome, antigamente explorada por imigrantes alemaes.
As condiçoes cibernéticas nao me permitem fazer já o download das fotos, por isso um post mais detalhado e ilustrado virá mais tarde. Ai vou poder apresentar toda a simpática família Ganzero Casasco, nomeadamente a pequena Violeta, que adora fazer poses do alto dos seus dois aninhos.
Por enquanto digo-vos apenas "hola" desde aqui do quilombo urbano:)
Também qualquer dia tenho que partilhar convosco a adoraçao argentina pela cozinha. Se, como eu, pensavam que o povo português fala muito de comida e que quase todos os portugueses adoram comer, desenganem-se. Os argentinos dao um outro requinte ao culto da gula. Estou a aprender os nomes de todas as partes da vaca. É claro que aqui em Bs As já fizémos um fantástico asado e é claro que me pediram para preparar o famoso bacalhau com natas. Nao sao muito amantes de peixe, mas com este ficaram rendidos :)
Em breve regressamos a Uspallata e volto a dar noticias!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Lisboa menina e moça
Casa é onde nos sentimos bem...e a nossa terra, por muito que se viaje pelo mundo, será sempre a nossa terra, e onde o nosso coração está!
O regresso foi fácil...bem, a viagem até cá nem por isso pois demorei um total de 5 dias desde o momento em que saí de Uspallata até ao momento em que finalmente pus um pézinho em terras Lisboetas. Foi duro! Das viagens mais canstivas e longas que alguma vez fiz, mas valeu a pena!
Resolvemos, eu e a Inês, que precisávamos de juntar dinheiro para seguir rumo ao nosso destino final, o Brasil...por força de várias circunstâncias acabei por me ver de volta a Portugal, para juntar aqui o dinheiro que preciso para o tempo de viagem que ainda queremos fazer. Depois, regressar até à América do Sul e reencontrar-me com a minha companheira, que, por motivos já vossos conhecidos, optou por ficar por terras Argentinas a fazer o mesmo que eu me proponho a conseguir durante o período de 3 meses que permanecerei em Portugal...Juntar todo o dinheiro possível e fugir novamente!
O regresso tem sido fácil, aliás, sinto-o como se nunca tivésse saído de cá, e os 5meses e meio que deambulei por terras desconhecidas, tornaram-se em algo vago, longinquo e distante. A rotina do viajante, das mochilas e sacos e, no meu caso, didgeridou, entranhou-se em mim enquanto por lá estive, ao ponto de me parecer que era capaz de fazer daquilo a minha vida...anos e anos a percorrer o mundo, a conhecer gente, a ver o sol nascer e por-se nos lugares mais remotos do nosso pequeno mundo...mas hoje, de volta ao nosso Portugal, tudo ficou para trás.
Desde que cá estou, foram festas, passeios, saídas à noite, Bairro alto, Alfama, Sines, Ericeira, a rotina de um trabalho novo que arranjei para cumprir o meu objectivo, sol, praia, MUITO calor...e amigos...e familia...e eu mais uma vez embrulhada na rotina de que já tinha saudades...mais uma vez a correr entre os tempos de uns e outros, mais uma vez a tentar chegar a todos, mais uma vez a não querer que o tempo voe...
Estarei por Lisboa até Outubro, pelo meio irei às vindimas a França e este é todo o plano que tenho para já…depois, como já estão habituados, será mais uma vez ao sabor do vento, desta vez, Brasileiro!!! Mas até lá...até lá...as minhas palavras continuarão por aqui...
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Artigo de jornal da Inês!
Suenan los bombos y las bocinas de los camiones. Hay desconcierto en el pueblo. La gente parece revuelta pero se manifiesta pacíficamente. Yo, una turista portuguesa que decidió pasar unos días en Uspallata, me encontré el 9 de Julio con este escenario y me informan que se trata de un corte de ruta informativo (distribución de panfletos a toda la gente que pasaba por la ruta 7), alertando por el problema de las minerías a cielo abierto. Mi formación en sociología me estimuló la curiosidad por este fenómeno. Siendo ciudadana europea, y buscando información para conocer más como mi país, perteneciendo a la Unión Europea, enfrenta este tema, en diferencia de lo que pasa aquí en Latino América. Hice una investigación y concluí que se tratan de dos realidades completamente distintas. Me quedé indignada. ¿Como puede Argentina estar apoyando un proyecto de minerías de este tipo, cuando en Europa recién (el 11 de Mayo de 2010) se aprueba una resolución que prohíbe el uso de cianuro (considerado uno de los principales contaminantes, y que puede tener un impacto catastrófico e irreversible en el medio ambiente y en la salud humana) antes del fin de 2011 con el objetivo de proteger los recursos hídricos y la biodiversidad (Resolución B7-0240/2010)? Además se dice que acá quieren incluir en los programas escolares información a favor de las minerías!
Mientras los eurodiputados piden al Ejecutivo comunitario que apoye la reconversión de las zonas donde está presente este tipo de minería, concediendo apoyo financiero para impulsar industrias ecológicas, energías renovables y el turismo; en Argentina se esta a punto de invertir millones en un emprendimiento que utiliza cianuro y acido sulfúrico cerca de nacientes de agua que alimentan diversas provincias y cerca de una de las zonas vitícolas más importantes del país.
Felizmente se constata que esas políticas, no agradan a muchos movimientos de vecinos y ecologistas argentinos, que siguen movilizándose contra el uso de estas sustancias contaminantes, como lo demuestra el caso de Uspallata, donde se creó especialmente para ese propósito una radio comunitaria (La Paquita 88.9 FM) que da voz a sus reivindicaciones, siendo una de las primeras radios en Argentina en luchar contra las minerías a cielo abierto.
La Cámara Argentina de Empresarios Mineros destaca el incremento del empleo en ese sector. Entonces ¿porque dentro de los considerandos que motivaron la decisión del Parlamento Europeo, se encuentra “que el uso de cianuro en la minería crea poco empleo y solo por un periodo de entre 8 y 16 años, pero puede provocar enormes daños ecológicos transfronterizos que, por lo general, no son reparados por las empresas explotadoras responsables, que suelen desaparecer o declararse en quiebra, sino por el Estado correspondiente, es decir, por los contribuyentes” y también que “en los últimos 25 años, se han registrado en todo el mundo más de 30 accidentes importantes relacionados con vertidos de cianuro”?.
Ya las presidencias española, belga y húngara habían tratado las políticas del agua como prioritarias y ya la Republica Checa y Alemania habían promulgado la prohibición de lixiviación con cianuro en la minería (la lixiviación es el proceso que utilizan las minas a cielo abierto para separar, de forma química, los metales de la piedra y consiste en derramar toneladas de líquidos contaminantes sobre montañas de escombros).
De esta forma Europa responde a la proclamación de 2010 como Año Internacional de la Diversidad Biológica, la cual invita al mundo a actuar para salvaguardar la biodiversidad en la Tierra.
En junio de 2007 Mendoza se convertía, a nivel nacional en una de las pioneras respecto del cuidado del medio ambiente, con la aprobación de la Ley Nº 7.722, que prohíbe la utilización de cianuro y otras sustancias toxicas en la actividad minera. Uspallata debería orgullecerse de pertenecer a esa provincia que protege la naturaleza … pero desgraciadamente hoy esa ley parece estar en riesgo. Además, Uspallata pertenece al Departamento de Las Heras, cuyas preocupaciones parecen ser solidarias con los intereses de las empresas mineras. Si Uspallata perteneciese al Departamento de Lujan de Cuyo talvez los acontecimientos serian diferentes…
San Carlos es un ejemplo de suceso. El Concejo Deliberante aprobó por unanimidad la Ordenanza 1.068/05 que prohíbe, dentro de los límites del departamento, “el empleo de técnicas de lixiviación con sustancias tóxicas” en las actividades mineras. Esta ordenanza surgió a raíz de una propuesta del grupo de Vecinos Autoconvocados.
Actualmente, la mayor parte de los participantes en minerías en Argentina son holdings extranjeros. Hablamos de conglomerados empresariales australianos, británicos, canadienses y norteamericanos. Talvez, si la opinión publica de estos países fuese alertada para esta situación, muy probablemente, se opondría a tal negocio.
Uspallata no se opone a la actividad minera en general, sino a un determinado modo de explotación a gran escala que implica el uso de tóxicos que causan efectos irreparables en la sociedad y el territorio. Y sabemos que existen alternativas. Basta existir voluntad política para ponerlas en acción.
Yo, una turista en Uspallata, comprendí la irritación de la gente que se manifiesta por las calles y me sentí solidaria con su lucha. Prometo difundir este problema que no es de Argentina si no de el mundo, a través de todos los vehículos informativos que pueda alcanzar, con la esperanza de que mi mensaje pueda juntarse al protesto colectivo y servir como pequeña contribución para impedir la destrucción de los colores hermosos de estas montañas y de todo el ecosistema universal.
Inês Cardoso
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Vida campesina e boa onda argentina
Ola ola directamente do Valle de Uspallata, entre a pré cordilheira e a cordilheira dos Andes, aqui bem pertinho do Aconcágua ;)
Estive a tentar publicar mais fotos aqui no blog mas esta internet é de terror e acabei por desistir...
Por isso vao ter que se contentar com um simples post, para vos pôr a para daquilo que ando a fazer por aqui, pois já me apercebi que a curiosidade é imensa :)
No campo há sempre muita coisa para fazer, mas tudo corre a um ritmo tranquilo e relaxado.
Nos nossos passeios, nunca nos escapa nenhuma plantinha autóctone, que levamos para o nosso viveiro particular. Temos feito muitas germinaçoes. Tenho particular fé nuns moranguinhos que plantei e que deverao estar a despontar na Primavera. Apercebi-me que os frutos vermelhos sao os meus predilectos :) E aquela maçaroca colorida que trouxémos de Jujuy lembraste Clau? Parece que também vai pegar! :)
Merecem também destaque alguns apontamentos gastronómicos que têm aguçado um pouco a melancolia: na nossa ida mensal à grande cidade descobrimos no supermercado "sardinhas portuguesas"! É obvio que delirámos e fizémos uma super sardinhada no dia seguinte... nem pensem que me podem meter inveja com as vossas sardinhadas de Verao! Esta, em pleno inverno, foi um êxito! Além disso comprámos também bacalhau e já existe um argentino rendido aos encantos das nossas receitas. Principalmente com natas no forno! Yammi! E agora que o forninho novo já está completamente finalizado, também nos temos fartado de fazer pao. E que bom que é fazer o nosso próprio pao! É oficial, a minha alcunha da Tuna começa agora a fazer algum sentido.
O programa da Rádio La Paquita também continua sobre rodas. Às vezes lá é forçada a minha participaçao, com o meu sotaque exótico, nomeadamente para reivindicar contra um projecto de minha a céu aberto que está planeado para esta zona. Trata-se de uma luta local bastante forte, a qual foi aliás o motivo principal para a criaçao desta Radio Comunitaria. As minas a céu aberto já foram alvo de uma resoluçao do Parlamento Europeu, no sentido da sua eliminaçao até 2011, devido aos efeitos devastadores para a biodiversidade que acarreta o uso de cianuro e outras substancias quimicas no processo de lixiviaçao dos metais. Também já tive oportunidade de escrever um artigo sobre este problema num jornal local.
Entretanto soube que através de um observatório astronómico situado no Chile, foram descobertas várias estrelas gigantes, uma delas 300 vezes maior que o sol. É claro que isso por aqui tem dado azo a vários comentários sobre o fim do mundo profetizado pelos Maias, o qual deverá ocorrer em 2012. Ainda muito se virá a escrever e dizer sobre essa profecia, que nestes países acaba por ter um impacto muito mais forte. O fim do mundo nao será... mas algo irá acontecer! Quem sabe uma grande mudança de consciencia...
Entretanto, enquanto muitos de voces vao estar em Sines, no domingo vou celebrar o dia da Pacha Mama, ao som de muitos tambores e com direito a uma grande oferenda à mae natureza, para que a comida continue a ser saborosa e abundante!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Para onde o vento soprou...
O amor tem destas coisas...
O amor que eu tenho pela minha amiga levou-me a querer fazer com ela esta viagem, e esse mesmo amor que por ela sinto não me permite outra coisa senão dar-lhe o espaço que ela merece para ser quem é, e para fazer o que quer, tal como eu sei que ela me dá a mim.
A nossa viagem, segundo o meu ponto de vista, sempre nos permitiu dar liberdade uma à outra...se por algum momento os caminhos tinham de seguir direcções opostas, assim foi, mas sempre com previsão de regresso...a nossa viagem é feita a duas e longe ou perto, eu estou com ela, e ela comigo.
Tudo isto para dizer, que depois do nosso reencontro, e de passarmos pelos sítios onde a ventosa morena vos descreveu, seguimos rumo à terra que roubou o coração da minha companheira de viagem. A nossa viagem seguiu caminhos opostos quando fui à ilha de Páscoa e enquanto estive na Bolivia. Cada uma de nós viveu experiências diferentes, que nos deram novo brilho e crescimento...
Foram algumas as horas de bus que ainda tivémos de percorrer até chegar lá...eu, que não tinha motivos para isso, acho que estava tão excitada com a perspectiva de ir conhecer Uspallata como ela devia estar no dia em que resolveu largar tudo e seguir para lá.
Chegámos de noite, e pouco depois aparece o rapaz que nos acolheu...o Dom Quixote de Uspallata! Argentino de gema, romântico de coração.
Acho que estávamos os dois nervosos (eu e ele)...acho que estávamos os três contentes...
Posso contar isto Inês?!!?? Permites-me?
Se me permites então contarei também, que gostei muito de ai estar....gostei muito de o conhecer e toda a realidade campestre que a ti também te cativou. Se me permites, vou contar ao mundo que existem galinhas, porcos e leitões, um gato e dois cães enormes, montanhas lindas e um casal de apaixonados escondido numa cabana pintada de cores vivas. Se me permites vou contar que construímos um forno enquanto ai estive, que passeámos a cavalo... vou dizer que conheci amigos vossos cujo coração superava o corpo, se me permites vou ainda dizer que te vi brilhar como há muito tempo não via, e que me sinto feliz de ter testemunhado esses momentos, em que a vida atinge a simplicidade do dia-a-dia, em que o amor justifica tudo, e em que estiveste com uma plenitude como eu nunca te vi antes...
Se me permites Inês, vou contar ao mundo que estás feliz, e que eu estou feliz por ti, e que mesmo longe, sei que continuamos perto...eu em Lisboa, tu em Uspallata...
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Um pulinho ao Norte
Depois de quase um mês de afastamento, as ventosas reuniram-se em Jujuy, no Norte da Argentina. Foi um reencontro bastante emocional :)
Há muito que queríamos conhecer esta cidade, mas ainda nao tínhamos tido oportunidade.
Visitámos Pumamarca, um pequeno pueblo nos arredores e contemplámos o seu fabuloso Cerro das Siete Colores, bem do alto de um monte onde sentimos o amor universal :)
Também fizémos um tour por umas lagunas lindíssimas (e mais uma vez a nossa estrelinha brilhou e pudémos disfrutar da boleia de um senhor tao simpático, tao simpático, que fez uma viagem de propósito só para nos ir buscar) e descobrimos um pequeno paraíso onde fizémos um pic-nic e treinámos um pouco os nosso instrumentos de sopro.
Depois conhecemos tambem Salta, uma cidade bastante maior e bem bonita, principalmente à noite, com todos os monumentos iluminados. Tem também uns parques enormes e bem acolhedores.
Entretanto comprei uma máquina fotográfica, por isso já estou armada para vos mostrar novas imagens.
Depois de Jujuy e Salta viémoa novamente para Uspallata.. mas como eu já escrevi demasiado sobre esta vila, deixo agora que seja a Clau a tecer as suas consideraçoes. Serao publicadas em breve! :)
domingo, 4 de julho de 2010
Resumo de quase um mês de viagem alone!
Parte I - Zona Norte
Ora cá estamos novamente...desta vez, para dar as últimas informaçöes sobre os dias passados na Bolívia!
La Paz, foi fixe, de lá segui para Cochabamba, abaixo do altiplano, e cujo principal atractivo é a variedade gastronómica. Segundo a guia, começam o dia com uma sopa, a meio da manhä uns fritos ou umas batatas "rellenas", ao almoço o menú completo (sopa e segundo), a meio da tarde bora lá a umas empanadas e ao jantar siga o menú novamente!
Pareceu-me o lugar ideal para recuperar da segunda gastro e assim sendo lá segui rumo a esta simpática cidade na companhia do Basco. Felizmente além de comer ainda tive a oportunidade de assitir a um concerto de jazz com músicos muito criativos! Valeu a pena o dia lá passado!
Seguimos depois para o que seria zona de selva, Villa Tunari, onde encontrámos amigos de La Paz (Solene e Guilhermo) e um novo amigo cataläo (Lluis). Mais uma vez, num dia démos a volta ao "pueblito" e ainda aproveitámos para ver os "monitos" do parque Machia. Foi o ponto alto do dia! :D Vejam as fotos!
Ás 2h da manhä, pusémo-nos ao lado da rua que seguia até Santa Cruz à espera dos buses que vinham de Cochabamba. O plano era pará-los e entrar...prática corrente nestas terras...Assim foi, pouco tempo depois aparece um bus, que só tinha um lugar livre, e como nós éramos 3 (eu e os espanhóis) näo deu...esperámos mais um bocadinho e surge o veículo alado onde viajaríamos entalados entre mamitas, em bancos de molas soltas e aroma saturado. O pormenor mais interessante desta viagem, foi que nos puséram as bagagens num dos alçapöes da parte baixa do autocarro...e dizem voçês: Perfeitamente normal!...E sim, até seria, se nao estivésse a dormir lá uma pessoa durante toda a viagem e nem quando chegámos a Sta Cruz, e retirámos a mala aquela alma de lá saiu!! Precisarei de dizer mais alguma coisa?
Em Sta Cruz näo parámos...o objectivo final era a simpática vila de Samaipata. Turística ao que consta, mas com ruinas Inkas por perto e carregadinha de caminhos para percorrer no meio da natureza! Assim sendo, e como diziam que em Sta Cruz nao valia a pena parar, apanhámos logo outro bus pequeno e seguimos viagem.
Samaipata foi sem dúvida o meu ponto alto da Bolívia! Vila pequena, com alguns alemäes e estrangeiros de outras nacionalidades a coordenar alguns restaurantes e padarias que me mataram a saudade de tantas "delicatéssem" europeias! E o tempo era óptimo, e verde por todo o lado, e uma sensaçao de conforto e de estar no lugar certo!
Fiquei a saber que se iria festejar o solstício de inverno numa das maiores ruínas Inkas do pais, numa pedra/rocha totalmente talhada no topo de uma montanha sagrada. Era o que precisava de ouvir para me decidir a ficar ali à espera deste grande festejo. Uma semana foi o tempo que ali passei e dou por bem gastos os dias de ritmo lento e pouca ocupaçao. No início da semana, para aproveitar a estadia de poucos dias dos espanhóis, ainda fui fazer uma caminhada e tentei ir até Vallegrande ver o balneário onde o CHE foi fotografado morto, o "lavadero" onde o limparam, e todas as esculturas e obras em sua honra. Neste dia fatídico näo passei da casa de banho do museu, onde tive uma poderosa recaída da gastro, a minha terceira, e acabei por ter de passar o dia na clínica mais próxima. Vallegrande definitivamente näo é cidade para ninguém, que o diga o companheiro Che!!
Este foi mais um dos motivos que me levou a permanecer no pequeno paraíso que tinha encontrado neste pais. Armada de desculpas para ali permanecer, apenas vos posso dizer, que entre aulas de artesanato, fogueiras nocturnas e dias de sol deitada a rede, tive uns dias santos de espera pelo famoso solstício. E assim, no dia 21 subímos ao monte onde a cerimónia decorreria e lá esperámos toda a noite pelo amanhecer que os Xamans da regiäo iriam abençoar. Uma cerimónia simples, com insensos, cânticos e uns quantos raios de sol a espreitar por entre as núvens...Que emoçäo!!!
Parte II- Partida para o Sul
Um novo ano Inka nasceu!! Dia 21 começou o novo ano e para mim começou uma nova etapa de viagem...a descida ao sul!
Relatei-vos num pequeno/grande texto anterior a este, alguns dos problemas que eu e a Soléne encontramos na nossa tentativa de seguir viagem de forma económica. Só para que tenham uma ideia mais precisa do que foi, acrescento que se tivéssemos ido de bus directamente de Samaipata demorávamos 12h...com o caminho que acabámos por escolher por confiarmos nas vozes do povo, demorámos cerca de 2 dias e duas noites...enfim, Bolivia no seu melhor!!
O pior, foi que depois de uma semana de paz e sossego, tive uma semana de corrida contra o tempo, poucas horas de sono e pouco conforto.
A saída de Samaipata já sabem como foi, e quando finalmente chegámos a Sucre, a täo desejada cidade, tive logo de comprar o bilhete de bus para seguir ainda mais para sul, para Tupiza, de onde faria um tour de 3 dias pelo salar de Uyuni, um dos maiores do mundo. Tudo isto, para conseguir estar a tempo e horas na cidade Argentina onde combinei com a Inês o reencontro. O tempo urgia e näo foi fácil cumprir com o prometido, ainda assim, como dizia, chegámos de manhä a Sucre, dei uma volta pela cidade, papei uma comidinha que desconhecia no mercado central e ao fim do dia estava de novo no bus a caminha de Tupiza.
Cheguei a Tupiza as 5h da matina, e na propria estaçao de bus encontrei um Françês e um Quebéquiano com intençöes de fazer o mesmo tour que eu, com saida nesse mesmo dia o mais cedo possível! Depois de uma horas de espera para que as agências abrissem, lá conseguimos o que procurávamos...gastei até ao último centavo boliviano e americano que tinha comigo, e lá fui eu fazer o meu último tour neste país...o täo esperado Salar de Uyuni!!!
Três dias e duas noits a dormir em hoteis sem água e camas duras, mas com um guia e cozinheira! Comi que me fartei o dia todo, mas para compensar, e porque o tour normal era de 4 dias e nós quisémos fazê-lo em 3 por causa da falta de tempo, dormi sempre cerca de 5/6 horas, e isto porque íamos para a caminha as 21h!!! Sim, porque saímos sempre as 3h/4h da manhä para conseguirmos precorrer os Km diários necessários para cumprir os prazos!!
O bom de tudo isto foi que tivémos sempre a possibilidade de ver o nascer e o pôr-do-sol naquelas paisagens lindíssimas e quase lunares...excluindo o magnifico salar, cuja brancura e planura me espantaram mais do que imaginava! Mais uma vez...espreitem as fotos!!
A prova foi superada com êxito e lá corri eu de novo para o bus, passei a fronteira da Bolívia e eis-me de novo nas terras civilizadas e galäs da Argentina! Mesmo de pele e feiçöes parecidas aos Bolivianos, bastou passar a fronteira para imediatamente a espontaneidade das pessoas e o conforto dos buses mudar!! Que bom estar de volta ás viagens de horas a fio com filmes e refeiçöes a bordo!!! Saudades deste conforto!!!
E pronto...foi assim que passei as minhas semanas na Bolivia...no inicio mais "despacito", no fim mais a correr pela falta de tempo...num misto de ódio e amor pela passividade Boliviana, num misto de repulsa e curiosidade pela comida que tanto mal me fez mas que täo boa era...
Hoje posso sem dúvida dizer que quero voltar...sabe-se lá quando, mas é um pais com muito para ver e eu fiquei com a sensaçäo de que me faltou mesmo muito...