terça-feira, 6 de abril de 2010

Jhonny Tucki Hucke

Falar do Jhonny no fundo é falar da minha experiência nesta ilha de Rapa Nui e ao mesmo tempo descrever a essência desta terra...
De expressao fechada ele aproximou-se ao fim do meu primeiro dia de chegada, enquanto esperava de um espectáculo de dança e música com jantar de Curanto feito debaixo da terra ali mesmo onde estava e nessa mesma noite (foi sem duvida uma sorte!)...o sol quente aquecia enquanto comia uma torrada, ouvia o mar e via a linda visto do hostel onde acabei por ficar...
De pele escura, cabelos longos meio ondulados, lenço enrolado no topo da cabeça... os traços do rosto nao negam de onde é, Rapa Nui com muito orgulho e garra! Disse-lhe que estava a pensar fazer uma longa, longa caminhada à volta de toda a ilha mas que nao sabia se havia onde dormir, pois o caminho era longo e teria de o dividir em dois dias, mas o único local habitado é Hanga Roa, a Cidade onde tudo está e acontece...propôs-me, por entre olhos indecifráfeis a ser meu guia, jurou-me que era guia à anos quando duvidei da experiência e hesitei muito em aceitar, porque estou sozinha, sou um alvo fácil e pior ainda para fazer uma viagem de dois dias, dormir algures num local inacessível só com este homem que acabava de conhecer e cuja dureza do rosto nao me permitia sequer perceber se era simpático, interesseiro, se as intençoes eram boas, ou se podia estar nas maos de um qualquer louco...Só no dia seguinte, depois de quase gritar aos sete ventos de que ia fazer a viagem com este homem, avisar uma amiga daqui de que o ia fazer e fazer uma sondagem com as pessoas de cá, é que resolvi aceitar!
Posso, sem dúvida, afirmar neste momento que foi uma das melhores decisoes que tomei até hoje...
No dia em que aceitei levou-me de carro até Rano Raraku, onde se fizéram tantos Moais que até custa a acreditar...consegue-se imaginar que devia ser monstruosa a quantidade de gente que ali trabalhava por dia para talhar aqueles Seres gigantes da rocha...eram vários os que estavam a ser talhados ao mesmo tempo e a sensaçao é de estar perante uma imponencia do Homem, se é que isso se pode dizer!! Fiquei só até tarde, e desci até á costa, para ver o por do sol diante dos únicos 15 moais de pé na ilha.
A casa dele, onde me propôs dormir a primeira noite situa-se entre o vulcao de onde estraiam os moais e a praia com os 15 moais...o local nao tem descriçao e a casa dele, toda aberta para as árvores, completamente feita por ele, com pedra, plantas, animais, cama de rede no exterior, onde depois fomos ver a lua por tras dos moais...nao tem descriçao, nem por foto! Foi uma noite de música, conversa e onde pude depois conhecer o filho, a namorada e cunhada deste.
No dia seguinte, de chuva, seguimos de carro para ver a pedra que era tocada cada vez que nascia uma criança na ilha e o umbigo do mundo, Te Pito Kura, uma pedra magnética, cósmica, redondíssima, usada pelos sábios da ilha no passado...de lá, fomos taé Anakena, praia paradisiaca, onde pude ver corais enquanto o Jhonny foi apanhar cavalos!! Literalmente! Disse-me que esteve com um primo a correr atras de um cavalo, a tentar enganá-lo até que o apanharam com o laço...o objectivo desta luta que infelizmente nao presenciei foi arranjar um cavalo para nos transportar aos dois, e ao material que iriamos precisar para a noite...afinal a coisa prolongou-se para duas noites e acabámos por mudar para cavalo para podermos bater toda a zona de fio a pavio...
Ainda estou com dores nas pernas, de cavalgar sem sela, na parte de trás do cavalo...mas tenho mais pena do bicho que foi um valente a guentar aquele percuros por entre a costa verde, cheia de pedras vulcanicas usadas antigamente pelos Rapa Nui para fazer as suas casa, galinhieros, zonas de cultivo, casas, monumento, cemitérios...um mundo feito de pedra hoje reduzido a uma paisagem linda e ao mesmo tempo triste por deixar antever a civilizaçao que um dia ali houve, e que hoje nada resta...
Acabámos a noite a dormir em Hanga Oteo (mais uma vez indescritivel...tenho esperança que as fotos vos deixem ver um pouco o que é este pequeno canto do mundo!), a chuver, onde o Joni pescou em pouco mais de 20 min nada mais que 4 peixes, um deles de um azul turquesa lindo, jantou-se como se quer, e depois dormimos ali memso ao relento, debaixo apenas de uma cobertura para nos proteger da chuva...teria sido tudo perfeito, se a ilha nao tivésse imensas baratas que saem durante a noite, e que nao me deixaram dormir só de as imaginar em cima de mim, ou a entrar pelo saco-cama...nevertheless...foi uma das melhores experiencias da minha vida estes 3 dias com o Joni, nestas terras deserticas, mas com historia infindável, segredos por descobrir e uma lingua que o Joni quis á laia de insistência que eu fixásse, mas da qual apenas posso dizer que fixei o nome do primeiro rei que aqui veio (Hotu Matu), e que Ana quer dizer gruta...
Entretanto ofereceu-me a casa da filha que esta vazia para dormir estas proximas 2 noites e está neste momento a esculpir-me uma peça de madeira para eu levar comigo nem sei muito bem onde, uma vez que nao me cabe nem mais uma ervilha na mala!! Mas como nao aceitar!?!?
Ainda tenho muito mais para contar, os pormenores sao tantos que nao posso contar todos senao ainda esgoto o espaço de escrita para a Inês contar como têm sido estes dias no continente...
Da minha parte, e daqui deste ponto de terra no meio do pacífico, só posso dizer...que experiência!!!!!

3 comentários:

Inês disse...

Que experiencia fantastica miga! E tem mesmo a tua cara :) Ainda bem que foste e que estas a aproveitar ao maximo!

sandra disse...

=) lindo! aguardo as fotos! beijos!

Luis disse...

1/3 de loucura
1/3 de coragem
1/3 de sorte
Acho que esta tem sido a receita da tua viagem!!
Que continue assim ragazza!! :D