quinta-feira, 13 de maio de 2010

Trinta no Machu

Cabe-me agora entao a mim relatar os ultimos dias, passados na companhia dos 4 estarolas. Ja tanta coisa aconteceu que nao sei por onde começar...
Bem, a viagem até Cuzco foi das mais cansativas que fizémos até agora. Quase 24 horas dentro de um autocarro, com pouca comida, quase todos com umas cólicas agrestes devido a uns hamburgers malfadados que tinhamos comido em Lima e dirigidos por um motorista louco (mais tarde viriamos a aperceber-nos que todos os motoristas no Peru sao doidos varridos, mas naquela altura viviamos ainda na inocência).
Cuzco é uma cidade que nao representa minimamente o resto do país. É agradável, limpinha e bonita. Tudo está preparado para o turista (o que também se reflete nos preços). E está também a uma altitude considerável. Mas nós, armados em fortes, resolvemos instalar-nos num hostal situado no cimo da rua mais acidentada. Pobres dos nossos organismos frágeis de tuguinhas, apenas habituados às colinas de Lisboa! Bem podem imaginar como ficávamos de lingua de fora e com o coraçao a querer saltar pela boca. Mas sempre com um sorriso nos lábios pois claro!
No primeiro dia acabámos por nos perder nos inúmeros mercados de artesanato que existem espalhados pela cidade. No segundo dia fomos conhecer o Valle Sagrado. A paisagem nos arredores de Cuzco é toda lindíssima e ficámos fascinados com as construçoes incas e com tudo o que aprendemos sobre esta civilizaçao que adorava o Sol, a Lua e as montanhas.
Entretanto, na pausa do almoço, seguimos atentamente os relatos do jogo da final do campeonato em Portugal, que chegavam através de sms aos telemóveis dos estarolas lampioes e acabámos por celebrar efusivamente a vitória do glorioso (pronto ok, nao tao euforicamente como no Marquês...).
E a partir das seis da tarde (meia-noite em Portugal) começamos também a festejar o aniversário da menina Claudia que, muito bem, resolveu passar a trintona no meio da América Latina rodeada de amigos que a apaparicaram com imensas prendinhas bonitas.
O jantar foi no chinês, com direito a bolo de chocolate com velinha e tudo!
E no dia seguinte a celebraçao continuou. Era um dia muito importante: partimos para Águas Calientes, porta de entrada para uma das Sete Maravilhas de Mundo!
Soubémos que o trilho inca até Machu Picchu estava esgotadíssimo. Como autênticos mochileiros pé de chinelo que somos, optámos pela alternativa mais económica que nos levou até à cidade inca. Qual duas horas de comboio? Vamos mas é partir às 4h da manha, numa carrinha minuscula e recheada com 12 marmanjos, fazer seis horas de viagem por entre desfiladeiros e selva (com um condutor louco pois claro) e depois caminhar mais 3h! Boa! E assim foi.
Uma verdadeira aventura. Particularmente para a Mila, que teve que ultrapassar alguns contratempos: nao só teve que pôr à prova o seu estômago mais "sensível" a curvas e contra-curvas a mais de 3000 metros de altura, como depois teve que ignorar os nervos e atravessar um rio através de um mini-carrinho suspenso por cordas puxadas à mao (os nossos guias esqueceram-se de nos revelar esta "situaçao" com alguma atecedência e fomos completamente apanhados de surpresa. Uma boa surpresa para quem gosta da adrenalina das alturas. Nao tao boa para quem sofre de vertigens). Assim que pudermos colocamos aqui fotos desse grande momento.
Uma fiel história da ida a Machu Picchu nunca fica realmente completa, sem a descriçao do caminho até lá. No entanto, é muito difícil transmitir a beleza destas montanhas. Sao de uma imponência que nos tira o fôlego. Nao admira que os incas as considerassem deuses. Depois as fotos hao-de ajudar tambem!
E no dia seguinte finalmente fomos conhecer a cidade perdida. Como a trintona estava um pouco enferma devido a excessos de gula, em vez de palmilhar escadas durante 2 horas, resolvemos armar-nos desta vez em turistas de luxo e seguimos até ao topo de autocarro.
A primeira impressao foi um pouco assustadora. Como verdadeira ex libris que é, estava pejada de gente por todos os lados. Tal como nós, todos querem ver aquela pequena maravilha. Nao os podemos censurar...
Apesar disso, aquele lugar tem muita força e sentimos a sua energia na pele. Conseguiriamos passar horas a fio apenas a contemplar a magnificencia daquela obra arquitectónica, perdida no meio daquele verde, cuja origem até hoje ainda ninguém soube bem explicar (apesar dos milhentos estudos - também nao ajuda que todos os objectos ali encontrados há quase cem anos continuem na posse de uma universidade norte-americana) e cujo abandono também continua por desvendar.
Conseguimos colar-nos a grupos com guias e aproveitar para perceber que aquela pedra aponta exactamente a Norte e que por aquela janela entra o primeiro raio de sol, no dia do solestício de inverno.
Enfim, podia continuar aqui a contar imensas coisas interessantes que temos aprendido sobre os incas, mas já se faz tarde, já todo o grupo está a dormir e eu também tenho que me render ao leito. Até porque a esta noite nao foi nada mansinha, para nao variar. Fizémos novamente uma longa viagem de autocarro, com bastantes solavancos. Estamos agora em Puno e já fomos visitar as ilhas flutuantes do Lago Titicaca. Mas sobre isso a outra ventosa escreverá um próximo post ;)

2 comentários:

Inês disse...

:) e o que eu me ri com esta crónica!
Parabéns á Claúdia! beijinhos

Racas disse...

Nokinhas, Amiga!
Bem, absorvi estas vossas histórias a uma velocidade estonteante que nem me consigo conter!!! Tenho andado c mto trab e n tenho acompanhado cm antes mas agr voltei pra ficar! Como é possível, esta viagem deve estar a ser mesmo uma autêntica experiência de vida! É absolutamente inacreditável, quem lê não faz de certeza ideia do que estão a ser as vossas vivências... a sério, cada vez que venho aqui fico com um bichinho, ou melhor, um monstro enorme na barriga a empurrar-me para fazer uma viagem dessas! Claro q não podia fazer tanto tempo mas quero conhecer esses sítios lindos! vou ver as fotos agr, vou ficar a sentir-me diminuta loool mas mto feliz por vocês, por estarem a ter esta cena tão gde nas vossas vidas!
Beijo gde pra ti, tenho mtas saudades vossas! manda beijo à Cláu tb :))) Miss u